A filósofa  e feminista argentina Maria Lugones em seu artigo “Colonialidad y Género : hacia un feminismo descolial”( 1 )nos faz refletir sobre o conceito de “colonialidade de poder” de Quijano ( 2 )  e resignifica o  o seu conceito de  colonialidade de gênero.  “O eurocentrismo não é exclusivamente, portanto, a perspectiva cognitiva dos europeus, ou apenas dos dominantes do capitalismo mundial, também do conjunto dos educados sob a sua hegemonia. […]Trata-se da perspectiva cognitiva durante o longo tempo
do conjunto do mundo eurocentrado do capitalismo colonial/moderno e que naturaliza a experiência dos indivíduos( pre coloniais)  neste padrão de poder. Ou seja, fá-las entender como naturais, consequentemente como dadas e não susceptíveis de
ser questionadas.(  QUIJANO, pag.74).

A  alteração de um sistema  gênero em termos igualitários  e sem fundamentos biológicos  existentes nas sociedades pre coloniais  foram ” desqualificadas”  para atender ao colonialismo  e o capitalismo eurocentrado global.   A conquista dos europeus  nas Américas  e também na Africa promoveu apropriação das  comunidades  através de uma processo de exploração e de  dominação impondo as relações hierárquica, binaria e hererosexual ( LUGONES).

Não havia a diferenciação entre homens e mulheres conforme entendemos em nossa sociedade ( o termo ” mulher/homem não fazia parte de suas culturas ). Outras  denominações  eram conhecidas sem que houvesse  a inferiorização  e subordinação das mulheres  e dos gays, pois a homossexualidade  figurava como um terceira possibilidades de existência, sem qualquer  exclusão e sentido de valor . ”

No caso africano, entre os yorubas, o gênero não era um principio organizador na sociedade antes da colorização Ocidental” .( OYEWÚMI, Oyéronké). Logo não havia um sistema de gênero institucionalizado  e foi introduzido pelos escritos coloniais  a partir do seu entendimento  e vivencia .

A  pesquisa da historiadora  Susane Rodrigues de Oliveira/UNB  é reveladora ( através sua tese(3)   e rompe o silêncio imposto às figuras femininas do império inca e traça uma nova representação dessas mulheres. “Quando os espanhóis chegaram ao Tawantinsuyo, por volta de 1532, eles se depararam com mulheres guerreiras, conquistadoras, donas de terra, engenheiras agrônomas, curandeiras. Algo inimaginável para a Espanha dos séculos 16 e 17”.

Precisamos relera a historia das Américas e rever os papeis das mulheres em sociedade onde havia um ” Igualitarismo sem gênero”.. ,

  1.  Tabula Rasa. Bogotá – Colombia, No.9: 73-101, julio-diciembre 2008  e  http://www.revistatabularasa.org/numero-9/05lugones.pdf)
  2.  QUIJANO, Anibal , Colonialidade do Poder e Classificação Social”, In:Epistemologias do Sul / org. Boaventura de
    Sousa Santos, Maria Paula Meneses., jan,2009 .
  3.  OLIVEWIRA, Susane Rodrigues de .”Por uma história do possível: representações das mulheres incas nas crônicas e na historiografia, Paco Editorial,2012,

Resultado de imagem para MUlheres Sociedade Incaica

PERU: INCA mulheres. /NMamaconas, “escolhido” mulheres da sociedade Inca, participando do toilette da esposa do Inca. Desenho de ‘El primer nueva cronica y Buen Gobierno” (o primeiro novo crónica e bom governo), 1683-1615, por Felipe Guaman Poma de Ayala.