Como foi criada a heterossexualidade que conhecemos hoje?

O dicionário médico Dorland, de 1901, definiu a heterossexualidade como “um apetitite anormal ou pervertido em relação ao sexo oposto”

Mais de duas décadas depois, em 1923, o dicionário Merriam Webster definia a orientação sexual como “paixão sexual mórbida por alguém do sexo oposto”. Apenas em 1934 a heterossexualidade teve o significado atualizado: “manifestação de paixão sexual por alguém do sexo oposto”

Veja o texto completo publicado no uol.

https://noticias.uol.com.br/ciencia/ultimas-noticias/bbc/2017/06/11/como-foi-criada-a-heterossexualidade-como-a-conhecemos-hoje.htm

 

AS BLUSAS-VERDES E AS MARCHADEIRAS. MOVIMENTOS DE MULHERES E DE PARTICIPAÇÃO POLÍTICA NOS ANOS 30 E 60 Autora: Lidia M. V. Possas

Resumo: Compreender as manifestações políticas das mulheres no atual cenário nacional analisando
a historicidade e complexidade dos movimento de mulheres, suas contradições frente às
ações femininas/feministas no espaço publico e político. Para tanto pontuo os anos 30,
com as “blusas verdes” e 60 com as “marchadeiras” evidenciando como esses movimentos
de natureza conservadores e de tendências fascistas assumiram ações organizadas e agindo
na contra mão dos espaços democráticos e das lutas pela ampliação de diretos e de
participação política defendendo a manutenção de um status quo, das permanências de
práticas femininas tradicionais. Aquelas mulheres vivendo em conjunturas de maior
visibilidade feminina e de resistências aos governos autoritários assumiram
posicionamentos refreando os avanços que estavam em jogo, contribuindo para o refluxo
diante da conquista de direitos e de equidade de gênero.

Disponível em: http://www.revistadeantropologia.es/Textos/N3/As%20blusas%20verdes%20e%20as%20marchadeiras.pdf

Visita da Assessora da Secretaria de Gênero da Organização Nacional de Cegos do Brasil no LIEG

Essa semana recebemos a visita da Nara Franciele Maldonado, assessora da Secretaria de Gênero da Organização Nacional de Cegos do Brasil.

A Organização Nacional de Cegos do Brasil – ONCB, surgiu do processo de unificação das instituições nacionais representativas do movimento social das pessoas com deficiência visual. Foi fundada em 27 de julho de 2008 com o consenso das entidades brasileiras, sendo uma instituição não-governamental e sem fins lucrativos. (disponível em http://www.oncb.org.br/node/7/ )

Depois de assumir o cargo ela veio ao Lieg procurar informações sobre o assunto e nos contou das dificuldades em abordar o assunto na organização, e em se trabalhar com mulheres deficientes visuais devido a sua dificuldade de locomoção.

A parceria se iniciará com uma pesquisa de dados para sabermos quantos homens e mulheres são assistidas (os) pela organização nas suas filiais.

Teremos mais uma valiosa contribuição para o nosso grupo.

Artigo: “As mulheres muçulmanas precisam realmente de salvação? Reflexões antropológicas sobre o relativismo cultural e seus Outros” IN: Revista Estudos Feministas, Vol 20 N. 2/2012 Autora: Lila Abu-Lughod Universidade de Columbia

Este artigo explora a ética da atual “Guerra ao Terrorismo”, perguntando se a
antropologia, disciplina dedicada a entender a diferença cultural e a lidar com ela, pode nos
fornecer apoio crítico para as justificações feitas sobre a intervenção no Afeganistão em termos
de liberar ou salvar mulheres afegãs. Eu observo primeiramente os perigos da cultura de
reificação, aparente nas tendências de afixar ícones culturais claros como as mulheres
muçulmanas sobre confusas dinâmicas históricas e políticas. Posteriormente, chamando atenção
para as ressonâncias entre discursos contemporâneos sobre igualdade, liberdade e direitos
com antigos discursos coloniais e retórica missionária sobre mulheres muçulmanas, eu
argumento que, em vez disso, nós precisamos desenvolver uma séria avaliação das diferenças
entre as mulheres no mundo – como produtos de histórias diferentes, expressões de diferentes
circunstâncias e manifestações de desejos distintamente estruturados. Além disso, eu argumento
que, em vez de buscar “salvar” outros (com a superioridade que isso implica e as violências que
acarretaria), talvez fosse melhor pensarmos em termos de (1) trabalhar com elas nas situações
que reconhecemos como sempre sujeitas a transformações históricas e (2) considerar nossas
próprias e maiores responsabilidades para indicar as formas de injustiça global que são
poderosas formadoras dos mundos nas quais elas se encontram. Eu desenvolvo muito desses
argumentos a respeito dos limites do “relativismo cultural” através de uma consideração da
burca e dos vários significados dos véus no mundo muçulmano.

Revista Estudos de Sociologia – Revista Semestral do Departamento de Sociologia e Programa de Pós-Graduação em Sociologia. FLC – Unesp – Araraquara – v.17 – n.32 – 1º semestre de 2012.

Lucila Scavone – Unesp, Universidade Estadual Paulista, FCL/Ar, SP

Dossiê: aborto, objeto da pesquisa social

Apresentação – Lucila Scavone

O aborto sob o olhar da religião: um objeto à procura de autor@s – Maria José Fontenelas Rosado-Nunes

Entre julgar e escutar: sexualidade e aborto em um bairro popular – Carmem Susana Tornquist, Denise Soares Miguel e Gláucia de Oliveira Assis

Práticas sexuais, contracepção e aborto provocado entre mulheres das camadas populares de Salvador – Cecília Maria Bacellar Sardenberg

Artigos

Políticas públicas e investimento social: quais as consequências para a cidadania social das mulheres? – Jane Jenson (autora) e Michèle Nahas (tradutora)

Feminismo e política: dos anos 60 aos nossos dias – Maria Lygia Quartim de Moraes

Memórias da militância: reconstruções da resistência política feminina à ditadura civil-militar brasileira – Danielle Tega

Violência doméstica: Centro de Referência da Mulher “Heleieth Saffioti” – Gisele Rocha Côrtes

Relatos singulares, experiências compartilhadas: mulheres chefes de família no Brasil, na França e no Japão sob o prisma da raça/etnia/nacionalidade, classe e idade – Yumi Garcia dos Santos

Ética do cuidar e relações de gênero? Práticas familiares e representações da divisão do tempo – Vanessa Ribeiro Simon Cavalcanti, Claudia de Faria Barbosa e Bárbara Maria dos Santos Caldeira

Questões de gênero e a experiência da loucura na Antiguidade e na Idade Média – Rosimar Serena Siqueira Esquinsani e Jarbas Dametto

Desejos, conflitos e preconceitos na invenção de si: história de uma travesti no mundo da prostituição – Paulo Reis dos Santos

Corpo e identidades femininas: a intermediação da mídia – Ana Lúcia Castro e Juliana do Prado

Resenha

Diálogos em construção: estudo sobre gênero nas ditaduras do Cone Sul – Lina Maria Brandão de Aras

Resistências, gênero e feminismos contra as ditaduras no Cone Sul/ organização Joana Maria Pedro, Cristina Scheibe Wolff e Ana Maria Veiga. – Florianópolis: Ed. Mulheres, 2011.

Sumário:

Apresentação

1. A pesquisa sobre gênero, feminismos e ditaduras no Cone Sul: um relato de viagens e
algumas reflexões
– Joana Maria Pedro e Cristina Scheibe Wolff  

Feminismos em tempos de ditadura

2. Um mosaico de discursos: redes e fragmentos nos movimentos feministas de Brasil e
Argentina
Ana Maria Veiga

3. A questão do trabalho doméstico: recortes do Brasil e da Argentina Soraia Carolina de
Mello

4. Sexualidade e erotismo nas páginas dos periódicos feministas (Brasil e Argentina –
décadas de 1970 e 1980)
– Luciana Rosar Fornazari Klanovicz e Maria Cristina de Oliveira
Athayde

5. Leituras feministas de O Segundo Sexo no Brasil e na Argentina – Joana Vieira Borges

6. Entre o feminismo e a esquerda: contradições de embates da dupla-militância Isabel
Cristina Hentz e Ana Maria Veiga

7. Mulheres operárias na Argentina e no Brasil: uma análise de jornais da década de 1970
Gisele Maria da Silva

8. Movimentos feministas e Igreja Católica: uma análise comparativa de periódicos
Gabriela Miranda Marques

Repressão, revolução e cultura

9. Os Nunca más no Cone Sul: gênero e repressão política (1984-1991) – Mariana Joffily

10. Mulheres em guarda contra a repressão Ana Rita Fonteles Duarte

11. Trajetórias de mulheres em movimentos sociais no campo: comparações entre Brasil e
Paraguai (1960-1989)
– Larissa Viegas de Mello Freitas

12. A participação das mulheres na luta armada do Cone Sul Andrei Martin San Pablo
Kotchergenko 

13. Falar de si, falar de nós: performances e feminilidades alternativas no teatro sul-
americano (1975-1984)
Gabriel Felipe Jacomel

14. Nas ruas e na imprensa: mulheres em movimento durante as ditaduras militares no
Brasil e no Chile
Karina Janz Woitowicz e Joana Maria Pedro

15. Fé e relações de gênero nas esquerdas cristãs: Brasil e Chile no contexto das ditaduras
latino-americanas
Priscila Carboneri de Sena e Vivian Barbosa Moretti

16. Gênero, sacrifício e moral nos grupos de esquerda armada (Brasil e Argentina dos anos
1960 aos 1980)
Lilian Back

17. Sujeitos e amores: relações pessoais e revolução Sergio Luis Schlatter Junior

Artigos Cultura & Gênero: HEMMINGS, Clare. Contando estórias feministas.

Este artigo, da professora da London School of Economics Clare Hemmings, identifica e analisa as estórias dominantes que acadêmico/as contam a respeito do desenvolvimento da segunda onda da teoria feminista ocidental. Através do exame da produção recente de publicações interdisciplinares feministas e de teoria cultural, a autora sugere que, a despeito de uma retórica insistente sobre múltiplos feminismos, as trajetórias feministas ocidentais emergem de forma surpreendentemente singular. A autora critica, particularmente, uma narrativa insistente que vê o desenvolvimento do pensamento feminista como uma marcha incansável de progresso ou perda. Essa abordagem dominante simplifica a complexa história dos feminismos ocidentais, fixa autoras e perspectivas dentro de uma década específica e, repetida e erroneamente, posiciona feministas pós-estruturalistas como as ‘primeiras’ a desafiar a categoria “mulher” como sujeito e objeto do conhecimento feminista. Ao invés de propor uma história corretiva da teoria feminista ocidental, o artigo questiona as técnicas através das quais essa narrativa dominante é garantida, apesar de que tenhamos (se referindo às teóricas feministas) consciência disso. O foco da autora, então, recai sobre padrões de citações, recortes discursivos e alguns de seus efeitos textuais, teóricos e políticos. Como alternativa, Claire sugere um realinhamento das principais teóricas (aquelas que efetuaram uma interrupção crítica na teoria feminista) com seus traços feministas no uso de citações, forçando assim o concomitante re-imaginar de nosso legado histórico e de nosso lugar dentro dele.

(texto extraído do resumo da autora)

https://www.culturaegenero.com.br/wp-content/uploads/2012/05/HEMMINGS-Clare-Contando-estórias-feministas.pdf

Artigos Cultura & Gênero: COSTA, Claudia. O sujeito no feminino.

No presente artigo, de autoria da Professora adjunta de Teoria Literária e Estudos Culturais na Universidade Federal de Santa Catarina e pesquisadora do CNPq Claudia de Lima Costa, a autora examina a condição disciplinar do sujeito no feminismo, sua identidade ambivalente e sua capacidade de agenciamento à luz das discussões sobre identidade, diferença, lugar e enunciação articulados pelas teorias feministas pósestruturalistas. Tendo em vista que não podemos abordar questões sobre o(s) sujeito(s) e sua(s) identidade(s) sem examinarmos os vetores constitutivos dos mesmos, a autora explora como as teorias feministas têm sido capazes de oferecer definições alternativas (de uma maior positividade) do sujeito e da identidade que, mesmo que se apoiando na inevitabilidade epistemológica da desconstrução desses, resistem ao perigo de esvaziá-los de qualquer materialidade.

(texto extraído do resumo da autora)

https://www.culturaegenero.com.br/wp-content/uploads/2012/05/COSTA-Cláudia-O-sujeito-no-feminismo.pdf

Estudos feministas Las Madres: Desde el dolor y la esperanza

Gostariamos de divulgar o trabalho de Investigação do Observatório Audiovisual e Investigativo, que evidencia a luta das mulheres de distintos países latino americanos que enfrentaram o excesso de poder  e as arbitrariedades cometidas pelos  Governos militares . Nesse caso trata-se de uma situação comedida na Colômbia onde mulheres indígenas e afro descendentes foram vitimas de muitas atrocidades.

Segue abaixo uma parte do trabalho, em espanhol, pela militante Fabíola Lalinde:

“MILITANTE DEL PARTIDO DE LAS MAMÁS / 25 años recorriendo los caminos de la noche y de la niebla en la búsqueda de los desaparecidos, es una experiencia que no se adquiere ni en la mejor universidad del mundo. A raíz de mi trabajo permanente con familias afectadas y víctimas del conflicto armado que padecemos los colombianos desde hace más de sesenta años, pude constatar que somos las mujeres en general y las madres en particular, quienes en la práctica llevamos la peor parte y las más afectadas por  todas las formas de violencia que han ido surgiendo paralelas al conflicto interno. De un día para otro y sin previo aviso, nos convertimos en papá, mamá, amas de casa, empleadas en un trabajo u ocupación remunerada. Investigadoras y, además, dedicarle tiempo a la búsqueda del hijo, del hermano, del padre o del esposo, en el caso concreto, tanto de los hombres como mujeres desaparecidas o víctimas de ejecuciones extrajudiciales. Definitivamente, los hijos son el motor que mueve nuestra existencia, nos llevan a realizar proezas jamás imaginadas. Son nuestra fortaleza espiritual y moral que nos mantiene en pie de lucha por la defensa de sus vidas y de sus derechos.  En este transitar, además, conocí de cerca el drama de las madres y familias de los secuestrados: soldados y civiles;  de los asesinados en masacres y de  los discapacitados por las minas. Sumadas las innumerables fosas comunes con miles de restos humanos sin identificar

y el drama de los desplazados que deambulan por las grandes ciudades. Todos, víctimas  de los diferentes actores armados: guerrilla, paramilitares, autodefensas, narcotraficantes y, como si fuera poco, se suman miembros del ejército y de otros organismos del Estado responsables de  ejecuciones extrajudiciales y otras violaciones de los derechos fundamentales. Por todos los motivos expuestos me declaré del Partido de las Mamás. Duelen  profundamente todas las madres y todos los hijos del mundo, víctimas de la barbarie y el exterminio que vienen realizando los señores de la guerra contra los de su misma especie: La especie humana. La deshumanización más aberrante o, más grave aún, el principio del fin de la especie. Como lo he manifestado en otros espacios, estoy convencida de que este mundo no se ha derrumbado porque lo sostiene la débil humanidad de las mujeres.

Fabíola Lalinde”

Confira mais sobre o assunto na entrevista de Lalinde:
http://blip.tv/elretornotv/fabiola-lalinde-entrevista-1739457

As Fronteiras: Retomando a palavra e libertando significados

QUEM SOU EU? AS MULHERES E AS IDENTIDADES REDESCOBERTAS

A  partir  de  uma  dimensão  da cultura, a palavra fronteira desvencilha-se da ideia  de  limite  territorial  definido,  a  priori, como  algo  fixo  para  o  delineamento  de limites.  Liberada  desse  comprometimento, ela  pode  ser  pensada  em  outras  dimensões: como  momentos  de  transição  de  identidades vivenciados  pelos  indivíduos,  no  caso  as mulheres,  frente  às  normas  estabelecidas.

Questionando  o  discurso  determinante  e conectadas  a  processos  de  mudanças,  elas saíram  das  margens  em  que  viviam  e buscaram  reconhecimento  de  si,  fizeram novas  escolhas  identitárias  e  assumiram outras  possibilidades  de  ser,  de  inserção social, associadas à garantia de seus direitos. Reconhecendo  a  existência  desse movimento,  proponho  um  olhar  fronteiriço sobre a inserção de mulheres  na condição de viuvez,  de  modo  a  observar  as  múltiplas identidades  femininas  em  seus protagonismos.

A presente  reflexão pretende levar  em  consideração  os  esgarçamentos sociais  para  além  dos  limites  e  sentidos impostos  –  no  caso,  a  viuvez  –,  dilatar  as fronteiras  de  seus  significados  e  pensar  na possibilidade  de  sujeitos  híbridos, diferenciados,  sendo,  portanto,  móveis  e  se deslocando  a  todo  momento  em  uma performance contínua de atuação, como bem têm demonstrado os estudos contemporâneos sobre  as  relações  de  gênero  que  levam  em consideração as distinções de raça, de classe, de etnia e, principalmente, de gerações.

Veja o artigo completo aqui