8 de março – Dia Internacional da(s) Mulher(es)

Ilustração de Pedro Alencar Ribeiro. Disponível em https://www.ambientelegal.com.br/todas-as-mulheres-do-mundo/

Ao retomar a historicidade do Dia Internacional das Mulheres, constatamos que
os movimentos sociais e feministas em sua “Segunda Onda”, nos Estados
Unidos na década de 70, foram os responsáveis pela vanguarda das
reivindicações visando garantir um espaço de protagonismos para as mulheres.
A pauta de reivindicações era revolucionária para a época: exigia a equidade
salarial, rompendo a desigualdade no trabalho; os direitos reprodutivos,
com liberdade de acesso aos métodos contraceptivos e educação sexual,
a criminalização da violência contra a mulher. Além disso, questionavam o
papel da mulher como única responsável pela casa e pelos filhos, buscando a
divisão justa de tarefas e a garantia de representação política, com
presença feminina nos espaços de poder.
A criação oficial deu-se em 1974, quando as Nações Unidas preparavam
a Primeira Conferência Mundial sobre as Mulheres, que ocorreria no
México, em 1975. O objetivo da época era criar um plano de ação global para
eliminar a discriminação, algo que culminou na formalização do 8 de março.
Em 16 de dezembro de 1977 como um marco jurídico a Assembleia Geral
das Nações Unidas consolidou o reconhecimento global do Dia Internacional
das Mulheres formalizando a data através da Resolução 32/142, integrando a
pauta dos direitos das mulheres à agenda de paz e segurança global.
Assim, nós do LIEG/UNESP homenageamos nossas pessoas pesquisadoras:

Bruna Silva Oliveira, pesquisadora do LIEG desde 2021, com pesquisas
premiadas de iniciação científica, e que atualmente está no mestrado em
Ciências Sociais com pesquisa sobre políticas institucionais de enfrentamento,
acolhimento e prevenção à violência de gênero no espaço acadêmico. Para
Oliveira, o crescente número de mulheres e de pessoas atravessadas por
marcadores sociais da diferença na universidade é um resultado direto de
ações de movimentos estudantis, sociais e políticos, que se espelham e
caminham juntos com os movimentos feministas. Considerando isso, a
importância da pesquisa sobre violência de gênero na universidade se dá por
uma série de razões que justificam a importância de criar definições e
contextualizar as práticas de violência sexual que ocorrem nas universidades,
como incentivar o debate, educar a comunidade acadêmica sobre
comportamentos e experiências passíveis de punição, facilitar a denúncia e
orientar os administradores sobre como agir frente às reivindicações dos
grupos afetados. Em um espaço múltiplo como a universidade, a luta pelo
direito de permanência, existência e resistência prossegue, tornando a atual
luta feminista dentro deste espaço interseccional, ampla e multissituada.

Azza Soares de Andrade, internacionalista e pós graduanda em Ciências
Sociais pela Unesp/FFC, participa do LIEG desde 2025. Pesquisa gênero,
corpo, identidades, colonialidade e sexualidades desde 2017, desenvolvendo
trabalhos voltados para o questionamento dos binarismos e machismos, em
especial na luta pelos direitos das pessoas trans e LGBTQIAPN+. Atualmente,
seu trabalho é autoetnográfico e voltado para a comunidade e cultura Ba lroom
brasileira, investigando como corpos dissidentes produzem memória,
pertencimento e resistência a partir de experiências situadas entre teoria,
performance e vivência. Andrade, enquanto pessoa trans, ativista e feminista,
busca compreender o que ocorre quando o corpo marginalizado deixa de ser
apenas objeto de análise e passa a atuar como sujeito, arquivo e território de
invenção coletiva – seu objetivo é estabelecer diálogos entre o pensamentos,
elaborações performativas e a transnacionalização de culturas e modos de
viver-ser. Ao seu ver, a cultura Balroom, historicamente transcentrada, opera
como um espaço de elaboração coletiva de memória e pertencimento,
tensionando regimes de visibilidade, captura e mercantilização do corpo
dissidente – nesses entre-lugares, a recusa, a coletividade e o mistério
configuram práticas políticas fundamentais, capazes de deslocar narrativas
hegemônicas sobre corpo, identidade e representação.

Enndiel dos Santos Mendes, é pesquisadora do LIEG desde 2022.
Atualmente é Doutoranda em Ciências Sociais e Mestra pelo PPGCS da
UNESP/FFC, com pesquisa voltada para os conceitos de Gênero e Corpo nas
Relações Internacionais. Durante a graduação sempre esteve envolvida com
pesquisas de Gênero e se aproximou do debate através dos trabalhos de
Judith Butler. Com o amadurecimento enquanto feminista e pesquisadora,
pode unir na pós-graduação os estudos feministas e a defesa pela libertação
da Palestina. Seu foco está em utilizar o conceito de Corpo como chave de
leitura para a compreensão da violência de estado nos territórios palestinos
ocupados pelas forças israelenses. A pesquisadora parte de feminismos
preocupados com os sujeitos vulnerabilizados pelo colonialismo, capitalismo e
demais categorias de exploração sistêmica, evidenciando a autonomia destes
seja na produção de saberes e/ou práticas de resistência.

Milena Registro, doutoranda no Programa de Pós-graduação em Ciências
Sociais (PPGCS – UNESP/FFC). Mestra em Saúde Coletiva pela Universidade
Estadual de Londrina (UEL). Bacharel em Antropologia – Diversidade Cultural
Latino Americana pela Universidade Federal da Integração Latino Americana
(UNILA). Integra o Laboratório Interdisciplinar de Estudos de Gênero (LIEG),
onde desenvolve pesquisas nas áreas de gênero, saúde e cultura popular. Sua
trajetória acadêmica tem sido marcada pelo interesse em compreender como
saberes e práticas tradicionais/populares são mantidos e transmitidos por
redes geracionais femininas, investigando o cuidado historicamente vinculado
às mulheres e como essas práticas ancestrais pluralizam as formas de
produção de saúde. Atualmente, desenvolve sua tese por meio de uma
abordagem etnocartográfica, reunindo analisando narrativas produzidas por
essas mulheres em seus espaços de convivência e construção coletiva,
buscando mapear as dimensões territoriais-simbólicas, afetivas e práticas
dessas redes de cuidado. Ao acompanhar essas experiências, o trabalho
procura compreender também por que tais práticas se inscrevem
historicamente no corpo feminino, evidenciando as interconexões entre cultura,
saúde e gênero, bem como os processos de subjetivação e autonomia que
emergem dessas formas de cuidado e produção da vida.

Giovanna Bem Borges, mestra e doutoranda em Ciências Sociais pelo
PPGCS da UNESP/Marília, é integrante do LIEG desde 2022. Desde a
graduação pesquisa sobre a participação de mulheres na guerra,
especialmente no contexto do Leste Europeu, pois entende que a mera
existência de mulheres em posição de combate obstrui em alguma medida a
ordem social já que escapam da estrutura social de compreensão de gênero. A
partir do mestrado, a perspectiva da sobrevivência e do testemunho introduziu
sua pesquisa na dimensão da memória e da história oral, considerando a
importância desse campo para os estudos de gênero no geral e para a história
das mulheres em particular. Atualmente, analisa a ascensão de discursos
conservadores no contexto da guerra russo-ucraniana, pois é possível ver de
forma cada vez mais contundente tentativas de “retomar” a divisão sexual do
trabalho na família patriarcal, entendida como natural e imutável, que estaria
supostamente ameaçada por minorias que teriam como objetivo, em última
instância, destruir o próprio núcleo da nação. Nesse contexto, esses países
passam por uma crescente militarização com o intuito de se defender dessas
“ameaças” externas, vistas como imposições culturais e instrumentos de guerra
de um Ocidente hostil às tradições bálticas e eslavas.

E assim o LIEG segue com a nossa luta através da pesquisa e do
conhecimento, traçando novos caminhos e revendo conceitos e
epistemes, se inspirando na luta daquelas que vieram antes de nós,
construindo um construindo um futuro feminista para as que virão
depois. Feliz 8 de março para quem luta!

LIEG – UNESP parabeniza a gestão eleita para a Reitoria

Em nome das/os membros e coordenação do LIEG/UNESP, gostaríamos de parabenizar a eleição da 1ª reitora mulher da UNESP, a  Prof.ª Maysa Furlan, que durante sua gestão como Vice-Reitora, com sensibilidade  e acolhimento,  implementou  ações privilegiando as demandas da diversidade estudantil  garantido o seu  acesso, a  permanência e a inclusão  através de uma política de diálogos constante.

A presença de uma Ouvidoria como um canal de comunicação constante entre cidadãs e cidadãos e a comunidade unespiana composta de professores e funcionários (hoje são 34 ouvidores locais) garantiu a defesa dos direitos de todas, todos e todes.  A criação da Coordenadoria de Ações Afirmativas, Diversidade e Equidade (CAADI) em 2022, permitiu a existência de uma política educacional e pedagógica de “Enfrentamento ao  assédio, importunação sexual, formas de discriminação  e preconceitos  em relação à origem , cor, gênero, orientação sexual e de prevenção de todas as formas de violência  na UNESP”.

Como pesquisadoras e pesquisadores do LIEG/UNESP  desenvolvendo pesquisas e produzindo de conhecimentos  nos sentimos privilegiadas/os  com o apoio recebido e desejamos que os desafios a serem enfrentados como reitora, ao lado do Prof. Cesar Martins, vice-reitor contemplem  mais uma vez , ações para a construção de “uma universidade múltipla e acolhedora“ , onde possamos atuar, trabalhar  em um ambiente  onde as assimetrias de gênero  sejam dissipadas  em um convívio  de  respeito e diálogos constantes.

Parabéns aos colegas eleitos!

(Disponível em https://jornal.unesp.br/2024/11/15/nomeados-para-os-cargos-de-reitora-e-vice-reitor-a-partir-de-2025-professores-maysa-furlan-e-cesar-martins-apresentam-seus-planos-para-o-mandato/)

Decolonizando saberes: feminismo negro

A leitura do livro de Lélia Gonzalez é fundamental para quem deseja se aprofundar no conhecimento e debate sobre os diversos pontos do Feminismo e sobre como tornar a luta pelo direito das mulheres mais inclusiva a cada dia.

No presente trabalho, utilizando os livros base do curso, há a apresentação da Crítica ao Feminismo Branco Hegemônico, onde a autora menciona as falas do feminismo tradicional em dar ouvidos á mulheres marginalizadas, com isso nota-se o caráter excludente e monocromático do feminismo tradicional. Para ampliarmos o pensamento e adentarmos no mundo do Feminismo Negro, a autora cita as suas características, como a valorização da cultura afro-brasileira, a visibilidade e representatividade, a desconstrução de estereótipos, entre outros.

O Feminismo Negro está sempre em constante mudança e construção, se adaptando ás novas realidades e desafios que as mulheres marginalizadas sofrem e que não é considerado no Feminismo Tradicional.

Para um maior aprofundamento no assunto e afim de dar início a uma discussão pensante para a reflexão dos participantes, as estagiárias Júlia Xavier da Silva e Ana Paula Almeida de Miranda, ambas alunas do curso de Ciências Sociais na UNESP- Faculdade de Ciências Humanas de Marília, dividiram as leituras e em parceria apresentaram uma base do assunto para dar inicio a discussão.

Portanto, o Feminismo Negro busca lutar pela autonomia das mulheres negras, pela desconstrução do racismo e pela valorização da cultura afro-brasileira, deste modo, ele busca construir uma sociedade mais justa e igualitária para todos.

Bibliografia utilizada

AKOTIRENE, C. Interseccionalidade. São Paulo, SP: Sueli Carneiro; Pólen, 2019. 152 p. ISBN
978-85-98349-69-5

GALETTI, Camila; RIVETTI, Jéssica M. (Orgs.). Feminismos em Movimento. Belo Horizonte: Editora Luas, 2023. ISBN 6581177083

Julia Xavier é graduanda em Ciências Sociais, atualmente no terceiro ano e foi estagiaria da atividade de extensão do LIEG – Decolonizando saberes.

Decolonizando saberes: feminismo interseccional

Durante a realização da ACEU: Descolonizando saberes: gênero, violência, interseccionalidade e lugares, discutimos a existência de feminismos como ferramentas de análises e compreensão da realidade.

Tratamos em especial do Feminismo Negro e do Feminismo Interseccional. Ambos trazem mais camadas ao olhar gendrado. Não se trata apenas de considerar o ser mulher, mas situá-lo dentro de uma existência complexa, com variantes e somatórias que não nos permite uma desvinculação de suas nuances. A proposta é a de ampliar o debate e em especial no que tange ao feminismo interseccional, cuidar para que o termo não seja esvaziado do seu potencial político crítico.

Quando pensamos em interseccionalidade não podemos considerar apenas as variantes, mas entender de que maneira e com qual intensidade essas variantes afetam nossa práxis enquanto mulher. É procurar compreender quais dinâmicas nos atravessam.

É sair do esquema de organograma, de uma influência estruturada e hierarquizada, para uma rede, uma teia de influências, amplamente conectada e onde um mesmo fio perpassa vários outros fios, se fundindo de tal maneira que não possam ser desvencilhados sem estragar o tecido.

Assim é o feminismo interseccional. Complexo, nuançado e muito importante para entender as influências de gênero, sexualidade, raça, maternidade, classe, etnia e tantos outros marcadores que cerceiam o ser mulher.

Para atender a este fim, as alunas Ana Paula Almeida de Miranda e Julia Xavier aprofundaram as discussões com as leituras de Carla Akotirene, Raquel Sueli Cardoso da Conceição, Patrícia H Collins e Livia de Souza Lima, realizando uma discussão orientada dos tópicos Feminismo Negro e Feminismo Interseccional na reunião da Atividade Extensionista realizada em 27 de junho de 2024.

Texto por Ana Paula Almeida de Miranda. Bacharelanda em Ciências Sociais pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (PPGCS/UNESP). Integra o Laboratório Interdisciplinar de Estudos de Gênero (LIEG/UNESP) e é pesquisadora do Observatório de Segurança Pública (OSP/UNESP). Atualmente, se dedica aos estudos das relações entre gênero e atividade policial.

LIEG no 13 º Fazendo Gênero em Florianópolis

Na última semana, entre os dias 29/07 e 02/08, as pesquisadoras do Laboratório Interdisciplinar de Estudos de Gênero (LIEG) estiveram no Seminário Internacional “Fazendo Gênero 13 contra o fim do mundo: anti-colonialismo, anti-fascismo e justiça climática”, que neste ano completa 30 anos de encontros e trocas científicas, ativistas e artísticas, além de simbolizar a primeira experiência presencial após a pandemia de Covid-19.

O evento foi realizado no âmbito da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e recebeu pessoas de todos os lugares e das mais diversas áreas com um objetivo em comum: o compromisso feminista com a justiça em seus vários aspectos afins à interdependência humana, animal e climática.

Nesta ocasião, a Dra. Lidia Maria Vianna Possas coordenou o Simpósio Temático intitulado “Em torno do assédio: Violência de gênero e a luta por direitos”, que reuniu trabalhos acerca do complexo categorial que trata de tais violências, seja nas universidades ou em outros ambientes de pesquisa e de trabalho.

Para tanto, o ST constituiu-se como um ambiente de diálogo de saberes, contando com pesquisadoras de diversas áreas, que trouxeram discussões como: a judicialização das relações no ambiente universitário, mecanismos institucionais para o enfrentamento das violências de gênero nas universidades brasileiras, assédio sexual em ambientes acadêmicos, violência sexual na educação física escolar, dentre outros.

Ademais, uma das pesquisadoras do LIEG, Juliana Adono, também esteve presente no Simpósio Temático intitulado “Tecer coletividades: feminismos e comunidades literárias”, coordenado pelas professoras Lua Gill da Cruz (PUC-Rio), Luciéle Bernardi de Souza (UFSC) e Virgínea Novack Santos da Rocha (PUCRS).

O referido ST teve como intuito refletir como as questões de gênero perpassam os processos coletivos do fazer artístico e literário. Para tanto, reuniu trabalhos acadêmicos, intervenções e relatos de experiência no campo das artes e da literatura que problematizam o lugar e o papel das coletividades, tanto no âmbito da criação conjunta, quanto da circulação em comunidades.

Na oportunidade, a pesquisadora Juliana Adono apresentou elementos de sua pesquisa, desenvolvida no âmbito do LIEG e do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Faculdade de Filosofia e Ciências da UNESP de Marília/SP. A apresentação consistiu em abordar os feminismos decoloniais e as subjetividades resistentes no Poetry Slam.

Além disso, as pesquisadoras também estiveram nas demais atividades, dentre elas na Marcha Contra o Fim do Mundo, que ocorreu no dia 31 de julho no Centro de Florianópolis-SC. A Marcha Contra o Fim do Mundo é um movimento feminista, anticapitalista e antirracista que acontece tradicionalmente durante o Seminário Internacional Fazendo Gênero.

Abaixo, algumas fotos do evento:

Texto por Juliana Adono da Silva. Doutoranda em Ciências Sociais pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (PPGCS/UNESP). Integra o Laboratório Interdisciplinar de Estudos de Gênero (LIEG/UNESP). Atualmente, se dedica aos estudos de gênero, na linha de pesquisa Cultura, Memória e Identidade.

Dia internacional das mulheres! De que mulheres estamos falando?

RETROSPECTIVA_2023 – Ato pró-Palestina. – Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Passados 107 anos da marcha das mulheres ocorrida na Rússia realizada por mulheres em  8 de março de 1917 reivindicando melhores condições de vida; e ainda vivemos nesta mesma data as mesmas reivindicações femininas.

Os corpos das mulheres ainda são alvos de guerras, exploração laboral e precarização da saúde.

Atualmente, no conflito entre o Estado de Israel e o povo palestino os individuos mais prejudicados e mortos são as minorias sociais.

Segundo os relatórios oferecidos pelo Ministério de Saúde da Palestina, 60% dos feridos são mulheres e crianças.

As acusações por mulheres palestinas ou representantes dos direitos humanos na Palestina denunciam a prática de assédio sexual, inclusive estupro cometidos contra as palestinas por parte dos militares de Israel.

Uma das responsáveis pela averiguação e recolhimentos de depoimentos, Francesca Albanese (advogada italiana que residia nas áreas palestinas desde 2022 pela ONU), relatora especial da ONU, diz que as acusações  se colocam durante o momento de averiguação de  homens em mulheres quando de fato são “estupros coletivos”.

Acusações também foram feitas contra o Hamas (organização paramilitar da Palestina). Israel afirma que os direitos humanos foram quebrados e mulheres israelenses detidas pelo Hamas foram violentadas.

A ONU vem validando as acusações. Porém,  no último relatório essas acusações foram consideradas infundadas pela ausência de depoimento e  imagens da câmera de segurança que estavam prejudicadas.

Para ambos os lados o processo investigativo está tendo obstáculos.

 Israel, por exemplo, baniu a entrada das relatoras especiais. Além disso, as palestinas também não são identificadas e é de difícil acesso devido ao perigo que correm ao relatar ainda residindo em Gaza.

Partindo de uma análise mais ampla, além dos casos de violência contra mulheres de modo explícito, elas também sofrem de outras formas não tão evidentes. Entre elas estão aquelas  que se encontram em ambientes hostis e sem higienização e são obrigadas a realizar cesariana,  sem a anestesia e esterilização correta.Esse fato vem acarretando  mortes e possíveis contaminações.

Entre os itens  que  Israel vem proibindo  das  Equipes de Ajuda Humanitária estão os  kits de maternidade e anestésicos. Outro ponto consiste  nos  ciclos menstruais das mulheres que permanecem mesmo em condições de  guerra.

As notícias são veiculadas pela grande mídia ; os alimentos são queimados por tropas israelenses;os produtos de  higiene pessoal também são escassos.

As vítimas estão fragilizadas diante da contaminação  de várias  doenças venéreas,  além de  vários tipos de infecção urinária ou até mesmo a Síndrome do Choque Tóxico (complicação médica causada por infecção bacteriana), que pode levar a óbito.

Vivemos em pleno século XXI, hoje 8 de março comemora-se o Dia Internacional das Mulheres em um momento de uma geopolítica  de extermínio de uma população de mulheres e crianças sem condições de sobrevivência. GENOCÍDIO?

“O mundo agora sabe o que os palestinos sempre souberam, que as forças israelenses têm sequestrado, estuprado, espancado, aprisionado e até mesmo executado mulheres palestinas,” diz Hala Hanina, ativista palestina dos direitos das mulheres.

Maria Eduarda Guilger de Araujo, graduanda em Relações Internacionais, segundo ano, FFC/UNESP e membro do Laboratório Interdisciplinar de estudos de gênero e Grupo de Pesquisa Cultura&Gênero/CNPq.

Atividade extensionista – 2º semestre/2023

Convidamos a todos, todas e todes a participar da atividade extensionista “As arpilleras como forma de luta: ” do Laboratório Interdisciplinar de Estudos de Gênero (LIEG/ UNESP-Marília), nesse segundo semestre de 2023, em parceria como Instituto de Políticas Públicas de Marília (IPPMar) e do GT-Gênero (Anpuh-SP). As reuniões irão ocorrer no formato remoto (GoogleMeet), quinzenalmente, às quintas-feiras, das 14h30 às 17h. As atividades estão previstas para iniciarem no dia 14/09/2023 e acabarem no dia 30/11/2023.

Será emitido certificado para aqueles/as que comparecerem em pelo menos metade dos encontros (50% ou mais de presença, total de 14 horas).

Formulário de inscrição: https://forms.gle/kesKE62zDJkmCNv46

Por que falar de Gênero e Corpo nas Relações Internacionais?

Texto de Enndiel Mendes

Comparada com outras áreas das Ciências Humanas, as discussões teóricas e metodológicas feministas e de gênero chegaram de forma tardia nas Relações Internacionais (RI). No Brasil, as referências possíveis traduzidas e uma produção de trabalhos nacionais nesse campo foram se intensificar nos anos 2000, o que veio colaborar na ampliação de textos acadêmicos com ênfase no debate teórico acerca do conceito de Gênero e Corpo.

Segundo Sanahuja (2018)1, as teorias feministas vieram colocar novas questões em debate nas RI, para além do que vinha sendo discutido pelo paradigma realista, transnacionalista ou globalista e estruturalista. De acordo com o autor, a inserção das teorias feministas possibilitou à disciplina, ressaltar a relevância da natureza histórica, do contingencial e contextual para além da realidade social intersubjetiva.

Sanahuja (2018) expõe, que nesse processo de recuperação da historicidade pelas feministas das RI, com críticas ao colonialismo do saber e poder, fez-se emergir novos autores e autoras, agências e resistências que estavam empurrados para às margens e para a subalternidade. Daí, a necessidade das teóricas em priorizar a defesa local, do diverso, do particular como representações de resistências.

Nesse sentido, como uma acadêmica feminista, discente de pós-graduação do PPGCS – UNESP/Marília – Linha 2 (Cultura Identidade e Memória) e integrante do LIEG (Laboratório Interdiciplinar de Estudos de Gênero), gostaria de deixar algumas reflexões que pudessem contribuir para o futuro das Relações Internacionais, uma vez que observei essa lacuna no desenvolvimento da temática na minha área de formação. Mesmo nesse milênio não são muitos cursos2 de RI que oferecem na Graduação uma disciplina de Gênero, ou até mesmo nos cursos de Pós-graduação que ofereçam linhas de pesquisa específicas do tema.

Conclui em 2021 meu Bacharelado em Relações internacionais pela Universidade Federal de Sergipe com o meu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) intitulado “Gênero e Corpo: Repensando as Relações Internacionais”. Esse trabalho buscou ressaltar o processo de inserção das discussões feministas e de gênero na área de Relações Internacionais, abordado pelas RI norte-americana e europeia. Destacou-se que foram os esforços de muitas feministas, principalmente da década de 1980, que compartilhavam o compromisso pós-positivista de examinar a relação entre conhecimento e poder, que levaram a reformular as explicações racionalistas generalizadas das teorias convencionais das RI e buscaram a inserção do debate de gênero (TICKNER; SJOBERG, 2013).3

Essas pioneiras desse movimento ainda hoje possuem um papel relevante no campo, pois seus trabalhos compõem as bases da Teoria Feminista das Relações Internacionais. São esses: “Women and War” de Jean Bethke Elshtain (1987); “Bananas, Beaches and Bases: Making Feminist Sense of International Relations” de Cynthia Enloe (1989); e o célebre trabalho de Judith Ann Tickner (1992), “Gender in International Relations: Feminist Perspectives on Achieving Global Security”.

Mulheres em manifestação na capital da Espanha – Daniel Gonzalez (GTRES/EL PAÍS)

Na minha pesquisa de mestrado (2022-2024) tomei o conceito de “corpo” como uma discussão ainda mais recente que o de Gênero. Pesquisas que versam sobre a temática são contribuições de autoras(es) mais reconhecidos em outras áreas das Ciências Humanas, como Antropologia, História, Sociologia, Ciências Sociais, Filosofia etc. Podemos destacar alguns nomes como Michael Foucault, Jacques Lacan, Judith Butler, Nancy Fraser, Seyla Benhabib, Joan Scott, Simone de Beauvoir, entre outros. Tanto na Graduação como na Pós-graduação, optei pela escolha de autoras(res), cuja potência das perspectivas levantadas foi levar em consideração o “corpo e o gênero” situados através da capacidade de ação política, das relações sociais que os compõem e que ocorrem de modo intersubjetivo por dimensões históricas, geopolíticas, étnicas, classistas e sexuais (MENDES, 2021)4.

No meu TCC, foram destacadas as produções das autoras Lauren Wilcox (2014)5, Judith Butler (2019)6 e Silvia Federici (2017)7, além de outras referências que discorrem acerca das concepções de gênero e corporificação e demonstram a importância dessas categorias como centrais para os estudos das RI. A análise de uma abordagem estética para o estudo do Internacional, também despertou a minha motivação, combinadas com reflexões sobre Corpo e Gênero. A concepção de Estética de Roland Bleiker (2009)8 veio orientar a pesquisa por possuir enorme potencial explicativo acerca dos fenômenos políticos e as percepções sensíveis, que se apresentam como inovadoras para ampliar o alcance da área das Relações Internacionais.

Sendo assim, meu trabalho acadêmico, pode ser retomado, sem qualquer rotulação epistemológica, para repensar o campo das Relações Internacionais, ampliando as abordagens e metodologias de análise e colaborar na expansão de suas bases ontológicas. Vale ressaltar, que esses estudos recentes vieram alterar a minha práxis política, meu olhar enquanto mulher, pesquisadora brasileira e internacionalista.


[1] SANAHUJA, José Antonio. “REFLEXIVIDAD, EMANCIPACIÓN y UNIVERSALISMO: CARTOGRAFÍAS DE LA TEORÍA DE LAS RELACIONES INTERNACIONALES”. Revista Española de Derecho Internacional, vol. 70, no. 2, 2018, pp. 101–26. Disponível em: < http://www.jstor.org/stable/26486615>. Acesso em: 16 jun. 2023.

[2] O Instituto de Relações Internacionais da Universidade Estadual de São Paulo (IRI-USP), oferta desde 2017 uma disciplina optativa ministrada pela professora Drª Janina Onuki (mais informações estão disponíveis em: https://uspdigital.usp.br/jupiterweb/obterDisciplina?sgldis=BRI0071&verdis=1). Na Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” – UNESP, Campus Franca, a professora Drª Suzeley Kalil Mathias oferta uma disciplina optativa de Gênero e Segurança (mais informações disponíveis em: https://www.franca.unesp.br/#!/departamentos/relacoes-internacionais/corpo-docente/suzelei/). Essas informações foram coletadas de forma superficial, então outras universidades podem estar ofertando disciplinas sobre o tema. Portanto, pretendo desenvolver uma pesquisa posterior, mapeando o debate de gênero nos cursos de RI das universidades brasileiras.

[3] Judith Ann Tickner é uma autora das Relações Internacionais formada em história pela University of London (1959), com mestrado em Relações Internacionais (RI), Yale University (1960), e PhD em Ciência Política pela Brandeis University (1983). Laura Sjoberg é doutora em Filosofia, Relações Internacionais e estudos de gênero pela University of Southern California. É professora de Política Global e Relações Internacionais da British Academy na Royal Holloway University de Londres e chefe do Departamento de Política, Relações Internacionais e Filosofia. TICKNER, J. Ann; SJOBERG, Laura. Feminism. In: DUNNE, Tim; KURKI, Milja; SMITH, Steve (ed.). International Relations Theories: discipline and diversity. 3. ed. United Kingdom: Oxford University Press, 2013. p. 1-359.

[4] Mendes, Enndiel dos Santos. Gênero e corpo: repensando as relações internacionais. São Cristóvão, 2021. Monografia (graduação em Relações Internacionais) – Departamento de Relações Internacionais, Centro de Ciências Sociais Aplicadas, Universidade Federal de Sergipe, São Cristóvão, SE, 2021. Disponível em: https://ri.ufs.br/jspui/handle/riufs/17436.

[5] WILCOX, Lauren B. Bodies of violence: theorizing embodied subjects in international relations. New York: Oxford University Press, 252 pp. 2014.

[6] BUTLER, Judith. Problemas de Gênero: feminismo e subversão da identidade. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 287 pp. 2019.

[7] FEDERICI, Silvia. Calibã e a bruxa: Mulheres, corpo e acumulação primitiva. São Paulo: Editora Elefante, 2017.

[8] BLEIKER, Roland. Aesthetics and World Politics. 1. ed. England: Palgrave Macmillan, 2009.

Como foi criada a heterossexualidade que conhecemos hoje?

O dicionário médico Dorland, de 1901, definiu a heterossexualidade como “um apetitite anormal ou pervertido em relação ao sexo oposto”

Mais de duas décadas depois, em 1923, o dicionário Merriam Webster definia a orientação sexual como “paixão sexual mórbida por alguém do sexo oposto”. Apenas em 1934 a heterossexualidade teve o significado atualizado: “manifestação de paixão sexual por alguém do sexo oposto”

Veja o texto completo publicado no uol.

https://noticias.uol.com.br/ciencia/ultimas-noticias/bbc/2017/06/11/como-foi-criada-a-heterossexualidade-como-a-conhecemos-hoje.htm

 

AS BLUSAS-VERDES E AS MARCHADEIRAS. MOVIMENTOS DE MULHERES E DE PARTICIPAÇÃO POLÍTICA NOS ANOS 30 E 60 Autora: Lidia M. V. Possas

Resumo: Compreender as manifestações políticas das mulheres no atual cenário nacional analisando
a historicidade e complexidade dos movimento de mulheres, suas contradições frente às
ações femininas/feministas no espaço publico e político. Para tanto pontuo os anos 30,
com as “blusas verdes” e 60 com as “marchadeiras” evidenciando como esses movimentos
de natureza conservadores e de tendências fascistas assumiram ações organizadas e agindo
na contra mão dos espaços democráticos e das lutas pela ampliação de diretos e de
participação política defendendo a manutenção de um status quo, das permanências de
práticas femininas tradicionais. Aquelas mulheres vivendo em conjunturas de maior
visibilidade feminina e de resistências aos governos autoritários assumiram
posicionamentos refreando os avanços que estavam em jogo, contribuindo para o refluxo
diante da conquista de direitos e de equidade de gênero.

Disponível em: http://www.revistadeantropologia.es/Textos/N3/As%20blusas%20verdes%20e%20as%20marchadeiras.pdf