Atividade extensionista – 2º semestre/2023

Convidamos a todos, todas e todes a participar da atividade extensionista “As arpilleras como forma de luta: ” do Laboratório Interdisciplinar de Estudos de Gênero (LIEG/ UNESP-Marília), nesse segundo semestre de 2023, em parceria como Instituto de Políticas Públicas de Marília (IPPMar) e do GT-Gênero (Anpuh-SP). As reuniões irão ocorrer no formato remoto (GoogleMeet), quinzenalmente, às quintas-feiras, das 14h30 às 17h. As atividades estão previstas para iniciarem no dia 14/09/2023 e acabarem no dia 30/11/2023.

Será emitido certificado para aqueles/as que comparecerem em pelo menos metade dos encontros (50% ou mais de presença, total de 14 horas).

Formulário de inscrição: https://forms.gle/kesKE62zDJkmCNv46

Por que falar de Gênero e Corpo nas Relações Internacionais?

Texto de Enndiel Mendes

Comparada com outras áreas das Ciências Humanas, as discussões teóricas e metodológicas feministas e de gênero chegaram de forma tardia nas Relações Internacionais (RI). No Brasil, as referências possíveis traduzidas e uma produção de trabalhos nacionais nesse campo foram se intensificar nos anos 2000, o que veio colaborar na ampliação de textos acadêmicos com ênfase no debate teórico acerca do conceito de Gênero e Corpo.

Segundo Sanahuja (2018)1, as teorias feministas vieram colocar novas questões em debate nas RI, para além do que vinha sendo discutido pelo paradigma realista, transnacionalista ou globalista e estruturalista. De acordo com o autor, a inserção das teorias feministas possibilitou à disciplina, ressaltar a relevância da natureza histórica, do contingencial e contextual para além da realidade social intersubjetiva.

Sanahuja (2018) expõe, que nesse processo de recuperação da historicidade pelas feministas das RI, com críticas ao colonialismo do saber e poder, fez-se emergir novos autores e autoras, agências e resistências que estavam empurrados para às margens e para a subalternidade. Daí, a necessidade das teóricas em priorizar a defesa local, do diverso, do particular como representações de resistências.

Nesse sentido, como uma acadêmica feminista, discente de pós-graduação do PPGCS – UNESP/Marília – Linha 2 (Cultura Identidade e Memória) e integrante do LIEG (Laboratório Interdiciplinar de Estudos de Gênero), gostaria de deixar algumas reflexões que pudessem contribuir para o futuro das Relações Internacionais, uma vez que observei essa lacuna no desenvolvimento da temática na minha área de formação. Mesmo nesse milênio não são muitos cursos2 de RI que oferecem na Graduação uma disciplina de Gênero, ou até mesmo nos cursos de Pós-graduação que ofereçam linhas de pesquisa específicas do tema.

Conclui em 2021 meu Bacharelado em Relações internacionais pela Universidade Federal de Sergipe com o meu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) intitulado “Gênero e Corpo: Repensando as Relações Internacionais”. Esse trabalho buscou ressaltar o processo de inserção das discussões feministas e de gênero na área de Relações Internacionais, abordado pelas RI norte-americana e europeia. Destacou-se que foram os esforços de muitas feministas, principalmente da década de 1980, que compartilhavam o compromisso pós-positivista de examinar a relação entre conhecimento e poder, que levaram a reformular as explicações racionalistas generalizadas das teorias convencionais das RI e buscaram a inserção do debate de gênero (TICKNER; SJOBERG, 2013).3

Essas pioneiras desse movimento ainda hoje possuem um papel relevante no campo, pois seus trabalhos compõem as bases da Teoria Feminista das Relações Internacionais. São esses: “Women and War” de Jean Bethke Elshtain (1987); “Bananas, Beaches and Bases: Making Feminist Sense of International Relations” de Cynthia Enloe (1989); e o célebre trabalho de Judith Ann Tickner (1992), “Gender in International Relations: Feminist Perspectives on Achieving Global Security”.

Mulheres em manifestação na capital da Espanha – Daniel Gonzalez (GTRES/EL PAÍS)

Na minha pesquisa de mestrado (2022-2024) tomei o conceito de “corpo” como uma discussão ainda mais recente que o de Gênero. Pesquisas que versam sobre a temática são contribuições de autoras(es) mais reconhecidos em outras áreas das Ciências Humanas, como Antropologia, História, Sociologia, Ciências Sociais, Filosofia etc. Podemos destacar alguns nomes como Michael Foucault, Jacques Lacan, Judith Butler, Nancy Fraser, Seyla Benhabib, Joan Scott, Simone de Beauvoir, entre outros. Tanto na Graduação como na Pós-graduação, optei pela escolha de autoras(res), cuja potência das perspectivas levantadas foi levar em consideração o “corpo e o gênero” situados através da capacidade de ação política, das relações sociais que os compõem e que ocorrem de modo intersubjetivo por dimensões históricas, geopolíticas, étnicas, classistas e sexuais (MENDES, 2021)4.

No meu TCC, foram destacadas as produções das autoras Lauren Wilcox (2014)5, Judith Butler (2019)6 e Silvia Federici (2017)7, além de outras referências que discorrem acerca das concepções de gênero e corporificação e demonstram a importância dessas categorias como centrais para os estudos das RI. A análise de uma abordagem estética para o estudo do Internacional, também despertou a minha motivação, combinadas com reflexões sobre Corpo e Gênero. A concepção de Estética de Roland Bleiker (2009)8 veio orientar a pesquisa por possuir enorme potencial explicativo acerca dos fenômenos políticos e as percepções sensíveis, que se apresentam como inovadoras para ampliar o alcance da área das Relações Internacionais.

Sendo assim, meu trabalho acadêmico, pode ser retomado, sem qualquer rotulação epistemológica, para repensar o campo das Relações Internacionais, ampliando as abordagens e metodologias de análise e colaborar na expansão de suas bases ontológicas. Vale ressaltar, que esses estudos recentes vieram alterar a minha práxis política, meu olhar enquanto mulher, pesquisadora brasileira e internacionalista.


[1] SANAHUJA, José Antonio. “REFLEXIVIDAD, EMANCIPACIÓN y UNIVERSALISMO: CARTOGRAFÍAS DE LA TEORÍA DE LAS RELACIONES INTERNACIONALES”. Revista Española de Derecho Internacional, vol. 70, no. 2, 2018, pp. 101–26. Disponível em: < http://www.jstor.org/stable/26486615>. Acesso em: 16 jun. 2023.

[2] O Instituto de Relações Internacionais da Universidade Estadual de São Paulo (IRI-USP), oferta desde 2017 uma disciplina optativa ministrada pela professora Drª Janina Onuki (mais informações estão disponíveis em: https://uspdigital.usp.br/jupiterweb/obterDisciplina?sgldis=BRI0071&verdis=1). Na Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” – UNESP, Campus Franca, a professora Drª Suzeley Kalil Mathias oferta uma disciplina optativa de Gênero e Segurança (mais informações disponíveis em: https://www.franca.unesp.br/#!/departamentos/relacoes-internacionais/corpo-docente/suzelei/). Essas informações foram coletadas de forma superficial, então outras universidades podem estar ofertando disciplinas sobre o tema. Portanto, pretendo desenvolver uma pesquisa posterior, mapeando o debate de gênero nos cursos de RI das universidades brasileiras.

[3] Judith Ann Tickner é uma autora das Relações Internacionais formada em história pela University of London (1959), com mestrado em Relações Internacionais (RI), Yale University (1960), e PhD em Ciência Política pela Brandeis University (1983). Laura Sjoberg é doutora em Filosofia, Relações Internacionais e estudos de gênero pela University of Southern California. É professora de Política Global e Relações Internacionais da British Academy na Royal Holloway University de Londres e chefe do Departamento de Política, Relações Internacionais e Filosofia. TICKNER, J. Ann; SJOBERG, Laura. Feminism. In: DUNNE, Tim; KURKI, Milja; SMITH, Steve (ed.). International Relations Theories: discipline and diversity. 3. ed. United Kingdom: Oxford University Press, 2013. p. 1-359.

[4] Mendes, Enndiel dos Santos. Gênero e corpo: repensando as relações internacionais. São Cristóvão, 2021. Monografia (graduação em Relações Internacionais) – Departamento de Relações Internacionais, Centro de Ciências Sociais Aplicadas, Universidade Federal de Sergipe, São Cristóvão, SE, 2021. Disponível em: https://ri.ufs.br/jspui/handle/riufs/17436.

[5] WILCOX, Lauren B. Bodies of violence: theorizing embodied subjects in international relations. New York: Oxford University Press, 252 pp. 2014.

[6] BUTLER, Judith. Problemas de Gênero: feminismo e subversão da identidade. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 287 pp. 2019.

[7] FEDERICI, Silvia. Calibã e a bruxa: Mulheres, corpo e acumulação primitiva. São Paulo: Editora Elefante, 2017.

[8] BLEIKER, Roland. Aesthetics and World Politics. 1. ed. England: Palgrave Macmillan, 2009.

Como foi criada a heterossexualidade que conhecemos hoje?

O dicionário médico Dorland, de 1901, definiu a heterossexualidade como “um apetitite anormal ou pervertido em relação ao sexo oposto”

Mais de duas décadas depois, em 1923, o dicionário Merriam Webster definia a orientação sexual como “paixão sexual mórbida por alguém do sexo oposto”. Apenas em 1934 a heterossexualidade teve o significado atualizado: “manifestação de paixão sexual por alguém do sexo oposto”

Veja o texto completo publicado no uol.

https://noticias.uol.com.br/ciencia/ultimas-noticias/bbc/2017/06/11/como-foi-criada-a-heterossexualidade-como-a-conhecemos-hoje.htm

 

AS BLUSAS-VERDES E AS MARCHADEIRAS. MOVIMENTOS DE MULHERES E DE PARTICIPAÇÃO POLÍTICA NOS ANOS 30 E 60 Autora: Lidia M. V. Possas

Resumo: Compreender as manifestações políticas das mulheres no atual cenário nacional analisando
a historicidade e complexidade dos movimento de mulheres, suas contradições frente às
ações femininas/feministas no espaço publico e político. Para tanto pontuo os anos 30,
com as “blusas verdes” e 60 com as “marchadeiras” evidenciando como esses movimentos
de natureza conservadores e de tendências fascistas assumiram ações organizadas e agindo
na contra mão dos espaços democráticos e das lutas pela ampliação de diretos e de
participação política defendendo a manutenção de um status quo, das permanências de
práticas femininas tradicionais. Aquelas mulheres vivendo em conjunturas de maior
visibilidade feminina e de resistências aos governos autoritários assumiram
posicionamentos refreando os avanços que estavam em jogo, contribuindo para o refluxo
diante da conquista de direitos e de equidade de gênero.

Disponível em: http://www.revistadeantropologia.es/Textos/N3/As%20blusas%20verdes%20e%20as%20marchadeiras.pdf

Visita da Assessora da Secretaria de Gênero da Organização Nacional de Cegos do Brasil no LIEG

Essa semana recebemos a visita da Nara Franciele Maldonado, assessora da Secretaria de Gênero da Organização Nacional de Cegos do Brasil.

A Organização Nacional de Cegos do Brasil – ONCB, surgiu do processo de unificação das instituições nacionais representativas do movimento social das pessoas com deficiência visual. Foi fundada em 27 de julho de 2008 com o consenso das entidades brasileiras, sendo uma instituição não-governamental e sem fins lucrativos. (disponível em http://www.oncb.org.br/node/7/ )

Depois de assumir o cargo ela veio ao Lieg procurar informações sobre o assunto e nos contou das dificuldades em abordar o assunto na organização, e em se trabalhar com mulheres deficientes visuais devido a sua dificuldade de locomoção.

A parceria se iniciará com uma pesquisa de dados para sabermos quantos homens e mulheres são assistidas (os) pela organização nas suas filiais.

Teremos mais uma valiosa contribuição para o nosso grupo.

Artigo: “As mulheres muçulmanas precisam realmente de salvação? Reflexões antropológicas sobre o relativismo cultural e seus Outros” IN: Revista Estudos Feministas, Vol 20 N. 2/2012 Autora: Lila Abu-Lughod Universidade de Columbia

Este artigo explora a ética da atual “Guerra ao Terrorismo”, perguntando se a
antropologia, disciplina dedicada a entender a diferença cultural e a lidar com ela, pode nos
fornecer apoio crítico para as justificações feitas sobre a intervenção no Afeganistão em termos
de liberar ou salvar mulheres afegãs. Eu observo primeiramente os perigos da cultura de
reificação, aparente nas tendências de afixar ícones culturais claros como as mulheres
muçulmanas sobre confusas dinâmicas históricas e políticas. Posteriormente, chamando atenção
para as ressonâncias entre discursos contemporâneos sobre igualdade, liberdade e direitos
com antigos discursos coloniais e retórica missionária sobre mulheres muçulmanas, eu
argumento que, em vez disso, nós precisamos desenvolver uma séria avaliação das diferenças
entre as mulheres no mundo – como produtos de histórias diferentes, expressões de diferentes
circunstâncias e manifestações de desejos distintamente estruturados. Além disso, eu argumento
que, em vez de buscar “salvar” outros (com a superioridade que isso implica e as violências que
acarretaria), talvez fosse melhor pensarmos em termos de (1) trabalhar com elas nas situações
que reconhecemos como sempre sujeitas a transformações históricas e (2) considerar nossas
próprias e maiores responsabilidades para indicar as formas de injustiça global que são
poderosas formadoras dos mundos nas quais elas se encontram. Eu desenvolvo muito desses
argumentos a respeito dos limites do “relativismo cultural” através de uma consideração da
burca e dos vários significados dos véus no mundo muçulmano.

Revista Estudos de Sociologia – Revista Semestral do Departamento de Sociologia e Programa de Pós-Graduação em Sociologia. FLC – Unesp – Araraquara – v.17 – n.32 – 1º semestre de 2012.

Lucila Scavone – Unesp, Universidade Estadual Paulista, FCL/Ar, SP

Dossiê: aborto, objeto da pesquisa social

Apresentação – Lucila Scavone

O aborto sob o olhar da religião: um objeto à procura de autor@s – Maria José Fontenelas Rosado-Nunes

Entre julgar e escutar: sexualidade e aborto em um bairro popular – Carmem Susana Tornquist, Denise Soares Miguel e Gláucia de Oliveira Assis

Práticas sexuais, contracepção e aborto provocado entre mulheres das camadas populares de Salvador – Cecília Maria Bacellar Sardenberg

Artigos

Políticas públicas e investimento social: quais as consequências para a cidadania social das mulheres? – Jane Jenson (autora) e Michèle Nahas (tradutora)

Feminismo e política: dos anos 60 aos nossos dias – Maria Lygia Quartim de Moraes

Memórias da militância: reconstruções da resistência política feminina à ditadura civil-militar brasileira – Danielle Tega

Violência doméstica: Centro de Referência da Mulher “Heleieth Saffioti” – Gisele Rocha Côrtes

Relatos singulares, experiências compartilhadas: mulheres chefes de família no Brasil, na França e no Japão sob o prisma da raça/etnia/nacionalidade, classe e idade – Yumi Garcia dos Santos

Ética do cuidar e relações de gênero? Práticas familiares e representações da divisão do tempo – Vanessa Ribeiro Simon Cavalcanti, Claudia de Faria Barbosa e Bárbara Maria dos Santos Caldeira

Questões de gênero e a experiência da loucura na Antiguidade e na Idade Média – Rosimar Serena Siqueira Esquinsani e Jarbas Dametto

Desejos, conflitos e preconceitos na invenção de si: história de uma travesti no mundo da prostituição – Paulo Reis dos Santos

Corpo e identidades femininas: a intermediação da mídia – Ana Lúcia Castro e Juliana do Prado

Resenha

Diálogos em construção: estudo sobre gênero nas ditaduras do Cone Sul – Lina Maria Brandão de Aras

Resistências, gênero e feminismos contra as ditaduras no Cone Sul/ organização Joana Maria Pedro, Cristina Scheibe Wolff e Ana Maria Veiga. – Florianópolis: Ed. Mulheres, 2011.

Sumário:

Apresentação

1. A pesquisa sobre gênero, feminismos e ditaduras no Cone Sul: um relato de viagens e
algumas reflexões
– Joana Maria Pedro e Cristina Scheibe Wolff  

Feminismos em tempos de ditadura

2. Um mosaico de discursos: redes e fragmentos nos movimentos feministas de Brasil e
Argentina
Ana Maria Veiga

3. A questão do trabalho doméstico: recortes do Brasil e da Argentina Soraia Carolina de
Mello

4. Sexualidade e erotismo nas páginas dos periódicos feministas (Brasil e Argentina –
décadas de 1970 e 1980)
– Luciana Rosar Fornazari Klanovicz e Maria Cristina de Oliveira
Athayde

5. Leituras feministas de O Segundo Sexo no Brasil e na Argentina – Joana Vieira Borges

6. Entre o feminismo e a esquerda: contradições de embates da dupla-militância Isabel
Cristina Hentz e Ana Maria Veiga

7. Mulheres operárias na Argentina e no Brasil: uma análise de jornais da década de 1970
Gisele Maria da Silva

8. Movimentos feministas e Igreja Católica: uma análise comparativa de periódicos
Gabriela Miranda Marques

Repressão, revolução e cultura

9. Os Nunca más no Cone Sul: gênero e repressão política (1984-1991) – Mariana Joffily

10. Mulheres em guarda contra a repressão Ana Rita Fonteles Duarte

11. Trajetórias de mulheres em movimentos sociais no campo: comparações entre Brasil e
Paraguai (1960-1989)
– Larissa Viegas de Mello Freitas

12. A participação das mulheres na luta armada do Cone Sul Andrei Martin San Pablo
Kotchergenko 

13. Falar de si, falar de nós: performances e feminilidades alternativas no teatro sul-
americano (1975-1984)
Gabriel Felipe Jacomel

14. Nas ruas e na imprensa: mulheres em movimento durante as ditaduras militares no
Brasil e no Chile
Karina Janz Woitowicz e Joana Maria Pedro

15. Fé e relações de gênero nas esquerdas cristãs: Brasil e Chile no contexto das ditaduras
latino-americanas
Priscila Carboneri de Sena e Vivian Barbosa Moretti

16. Gênero, sacrifício e moral nos grupos de esquerda armada (Brasil e Argentina dos anos
1960 aos 1980)
Lilian Back

17. Sujeitos e amores: relações pessoais e revolução Sergio Luis Schlatter Junior

Artigos Cultura & Gênero: HEMMINGS, Clare. Contando estórias feministas.

Este artigo, da professora da London School of Economics Clare Hemmings, identifica e analisa as estórias dominantes que acadêmico/as contam a respeito do desenvolvimento da segunda onda da teoria feminista ocidental. Através do exame da produção recente de publicações interdisciplinares feministas e de teoria cultural, a autora sugere que, a despeito de uma retórica insistente sobre múltiplos feminismos, as trajetórias feministas ocidentais emergem de forma surpreendentemente singular. A autora critica, particularmente, uma narrativa insistente que vê o desenvolvimento do pensamento feminista como uma marcha incansável de progresso ou perda. Essa abordagem dominante simplifica a complexa história dos feminismos ocidentais, fixa autoras e perspectivas dentro de uma década específica e, repetida e erroneamente, posiciona feministas pós-estruturalistas como as ‘primeiras’ a desafiar a categoria “mulher” como sujeito e objeto do conhecimento feminista. Ao invés de propor uma história corretiva da teoria feminista ocidental, o artigo questiona as técnicas através das quais essa narrativa dominante é garantida, apesar de que tenhamos (se referindo às teóricas feministas) consciência disso. O foco da autora, então, recai sobre padrões de citações, recortes discursivos e alguns de seus efeitos textuais, teóricos e políticos. Como alternativa, Claire sugere um realinhamento das principais teóricas (aquelas que efetuaram uma interrupção crítica na teoria feminista) com seus traços feministas no uso de citações, forçando assim o concomitante re-imaginar de nosso legado histórico e de nosso lugar dentro dele.

(texto extraído do resumo da autora)

https://www.culturaegenero.com.br/wp-content/uploads/2012/05/HEMMINGS-Clare-Contando-estórias-feministas.pdf

Artigos Cultura & Gênero: COSTA, Claudia. O sujeito no feminino.

No presente artigo, de autoria da Professora adjunta de Teoria Literária e Estudos Culturais na Universidade Federal de Santa Catarina e pesquisadora do CNPq Claudia de Lima Costa, a autora examina a condição disciplinar do sujeito no feminismo, sua identidade ambivalente e sua capacidade de agenciamento à luz das discussões sobre identidade, diferença, lugar e enunciação articulados pelas teorias feministas pósestruturalistas. Tendo em vista que não podemos abordar questões sobre o(s) sujeito(s) e sua(s) identidade(s) sem examinarmos os vetores constitutivos dos mesmos, a autora explora como as teorias feministas têm sido capazes de oferecer definições alternativas (de uma maior positividade) do sujeito e da identidade que, mesmo que se apoiando na inevitabilidade epistemológica da desconstrução desses, resistem ao perigo de esvaziá-los de qualquer materialidade.

(texto extraído do resumo da autora)

https://www.culturaegenero.com.br/wp-content/uploads/2012/05/COSTA-Cláudia-O-sujeito-no-feminismo.pdf