Roda de conversa “Assédio nas festas universitárias”

Em parceria com os Centros Acadêmicos e representações discentes dos cursos de Ciências Sociais, Fisioterapia, Terapia Ocupacional, Relações Internacionais, Pedagogia, Biblioteconomia e Filosofia, convidamos a comunidade discente para uma roda de conversa sobre assédio em festas universitárias com a participação das pesquisadoras Bruna Oliveira e Beatriz Labadessa do Laboratório Interdisciplinar de Estudos de Gênero – LIEG.

Obs: Haverá lanche no evento!

Data: Terça-feira – 10/10/23;
Horário: 19h;
Local: sala 12 do prédio velho
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“A luta feminista no espaço acadêmico: pesquisas qualitativas, diagnósticos e novos saberes” – presença da professora Flor de María Solís

Cartaz de divulgação da atividade

O Laboratório Interdisciplinar de Estudos de Gênero/LIEG vem desenvolvendo ao longo do primeiro semestre de 2023 a atividade extensionista “A luta feminista no espaço acadêmico: pesquisas qualitativas, diagnósticos e novos saberes” em parceria com o GT Gênero/ANPUH São Paulo, IPPMar e universidades convidadas. Já tivemos a presença de:

  • Professora Lídia Possas (UNESP-FFC), coordenadora do Laboratório, apresentando a proposta da atividade, no dia 20 de abril de 2023;
  • Professora Simone Capellini (UNESP-FFC), discutindo “Pesquisa e comissão de ética na área das humanidades”, no dia 4 de maio de 2023;
  • Professor Thiago Ávila (UniCEUB), que nos apresentou seu artigo “O desenvolvimento da criminologia feminista no Brasil” no dia 18 de maio de 2023;
  • Professora Emília Barbosa (University of Science and Technology – Missouri/USA), que nos dias 1 e 8 de maio nos trouxe a discussão sobre o livro The Feminist Killjoy, novo livro da autora Sara Ahmed.

Na última quinta-feira, dia 15 de junho, tivemos a presença da professora Flor de María Gamboa Solís, professora e pesquisadora na Faculdade de Psicologia da Universidade Michoacana de San Nicolás de Hidalgo, no México, onde é também coordenadora da Red de Enlaces Académicos de Género. Desenvolve um trabalho investigativo a partir da articulação do feminismo e da psicanálise para documentar, estudar e teorizar os processos de produção e reprodução das desigualdades que se originam na diferença sexual. A professora Solís está particularmente interessada na questão da violência de gênero, bem como na investigação das formas discursivas que modelam negativamente a sexualidade feminina e reproduzem estereótipos de gênero em espaços públicos e privados.

Na atividade, fizemos a discussão do seu artigo “Acoso sexual em la Universidad: de protocolos y protocolos”, que apresenta uma reflexão feminista sobre assédio sexual nas universidades, com base na análise da aplicação do Protocolo contra a violência de gênero na Universidade Michoacana de San Nicolás de Hidalgo (2017), para mostrar que os protocolos só podem servir às autoridades universitárias como “rótulos” de responsabilidade social e moralidade, podendo até ser encarados como um desafio para os agressores e não como proteção para as pessoas afetadas.

A presença da professora Flor de Maria Solís fortalece dois dos compromissos fundamentais do Laboratório Interdisciplinar de Estudos de gênero/LIEG: a interdisciplinaridade e também a criação de parcerias internacionais. Como coloca nossa coordenadora, Lídia Possas, o diálogo transnacional fortalece o enfrentamento da violência de gênero na universidade, assumindo uma política educacional e pedagógica que toma corpo e propõe ações e medidas de prevenção, enfrentamento e acolhimento frente à todas as formas de violência. É responsabilidade nossa acreditar, investir para erradicar.

Segue abaixo uma galeria de fotos do encontro:

Participação do LIEG no congresso da LASA 2023

O Laboratório Interdisciplinar de Estudos de Gênero LIEG/UNESP participou do Congresso da LASA 2023 (Latin American Studies Association), com o tema “América Latina y el Caribe: Pensar, representar y Luchar por los Derechos da LASA”, realizado entre os dias 23 e 27 de maio, em Vancouver, no Canadá, de forma híbrida. A proposta para a nossa participação foi através de um painel com a temática: “Ativismos Estudantis na UNESP-MARÍLIA: Queixa e Escuta como Pedagogia Feminista”, com as seguintes participações:

  • Beatriz Jorge Barreto, graduada em Ciências Sociais pela UNESP/FFC com o  trabalho “Escuta feminista e a revelação de violências invisíveis: análise dos movimentos estudantis na UNESP/Marília”;
  •  Beatriz Labadessa de Oliveira e Bruna Silva Oliveira, graduandas em Ciências Sociais pela mesma universidade, com os trabalhos intitulados, respectivamente, “Enfrentar o assédio, a presença da diversidade no espaço acadêmico: reclamar, captar histórias a partir de uma pedagogia feminista” e “Enfrentamento de Violência de Gênero na Universidade: situações de assédio e parcerias necessárias para além das fronteiras”;
  • Maria Inês Godinho, Dra. em Ciências Sociais pela UNESP como chair e session organizer com o trabalho “Ativismo ‘estraga-prazeres’ nas plataformas digitais: os coletivos universitários contra o racismo e a violência de gênero – USP/UNESP e UNICAMP”.

 O painel foi mediado pela Coordª.do LIEG/UNESP, Prof.ª Lidia Possas, membro da Gender and Feminism Sections da LASA.

A participação no evento fortaleceu nossa inserção transnacional, possibilitando ampliar espaços de diálogo com as universidades e pesquisadoras parceiras, além da divulgação das nossas pesquisas.

Agradecemos à LASA, especialmente a Gender and Feminism Sections pelo convite e a possibilidade de participação no congresso às Profª. Maria Emília Barbosa/Missouri University e a Profª. Castriela Hernández Reyes /University Massachusetts-Amherst.

Segue abaixo fotos do evento e do nosso painel.

Abertas as inscrições para atividade extensionista do LIEG – 1° semestre de 2023

Convidamos a todos, todas e todes a participar da atividade extensionista A luta feminista no espaço acadêmico: pesquisas qualitativas, diagnósticos e novos saberes” do Laboratório Interdisciplinar de Estudos de Gênero (LIEG/UNESP-Marília), nesse primeiro semestre de 2023, em parceria com  Instituto de Políticas Públicas de Marília (IPPMar) e do GT-Gênero (Anpuh-SP).

Laboratório Interdisciplinar de Estudos de Gênero/LIEG/UNESP,  nesse 1º Semestre de 2023, propõe prosseguir na luta feminista dos estudos de gênero  que venham  ampliar as  discussões teóricas, explorando as dinâmicas da(s) existência(s) em relação ao enfrentamento da violência de gênero, do racismo, da LGBTQIA+fobia e  pontuando as formas e situações de “assédio” que emergem nas instituições de Ensino Superior, principalmente na América latina. Nos empenhamos em construir espaço de diálogo permanente com pesquisadoras(es) visando estabelecer parcerias que se preocupem em conhecer as práticas e avanços jurídicos recentes, as demandas de minorias sociais – que hoje correspondem à maioria numérica nas universidades – os movimentos sociais e de mulheres para compreender como e por que as formas de violência de gênero, de segregação e preconceitos são permanências em nossas instituições e na academia.
Temos como objetivo compartilhar com as/os participantes as questões relacionadas às temáticas apontadas e discutir  a  produção de conhecimento no campo dos estudos de gênero e da oralidade que vem se adensando  em uma perspectiva interdisciplinar e interseccional com  áreas afins.

Este é o formulário de inscrição para quem desejar participar das reuniões que ocorrerão no formato híbrido (GoogleMeet e Sala 5 do prédio novo da FFC), quinzenalmente, às quintas-feiras, das 14h30 às 17h. As atividades estão previstas para iniciarem no dia 20/04/2023 e acabarem no dia 27/07/2023.

Será emitido certificado para aqueles/as que comparecerem em pelo menos metade dos encontros (50% ou mais de presença), sendo  o total de 16 horas.

https://forms.gle/QWUQqdtgeDwH5gvJA

Dia Internacional da Mulher

Universidade em cena: na defesa da equidade de gênero junto às instituições!

Manifestação estudantil por uma educação não-sexista em Santiago, capital do Chile; no cartaz se lê: “A educação será feminista ou não será” – Nadia Martínez

“Uma das coisas que aprendi com o feminismo foi a suspeitar de tudo, dado que os paradigmas que são adotados em muitos âmbitos acadêmicos estão sustentados em visões e lógicas masculinas, classistas, racistas e sexistas.” (Ochy Curiel)

Em 1975, o dia 8 de março foi adotado pela ONU como Dia Internacional da Mulher, tendo como objetivo celebrar as conquistas sociais, econômicas e políticas das mulheres ao redor do mundo. Hoje, quase 50 anos depois, como podemos refletir sobre essas conquistas?

Quando pensamos em conquistas das mulheres, não podemos nos esquecer do papel crucial da educação. E hoje podemos dizer que a presença feminina no ensino superior foi alcançada: segundo o INEP, Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais, já em 2017 as mulheres predominavam em cursos superiores no Brasil, uma conquista que caminha junto com uma resistência de um espaço acadêmico historicamente masculino e patriarcal, movimento que revelou que conflitos existentes em todas as esferas da sociedade se repetem de forma sistêmica no interior das instituições de ensino, como assédio e violência de gênero.

De acordo com pesquisa do jornal Distintas Latitudes (2019), realizada em 100 universidades da América Latina, 60% dessas instituições de ensino superior carecem de políticas para lidar com denúncias de assédio sexual. O Laboratório Interdisciplinar de Estudos de Gênero /LIEG reconhece essas dificuldades das instituições e por isso tem se debruçado sobre o estudo de medidas de combate à violência de gênero e assédio sexual, que para o procurador regional do trabalho Raimundo Simão de Melo pode ser reconhecido como “o constrangimento com conotação sexual no ambiente de trabalho, em que, como regra, o agente utiliza sua posição hierárquica superior ou sua influência para obter o que deseja”.

A antropóloga Heloísa Buarque de Almeida, docente da USP, fala da existência de um currículo oculto na universidade: “numa universidade aberta à entrada das mulheres nas mais diferentes áreas acadêmicas e profissionais – e em que o número de mulheres tende a ultrapassar o de homens – uma espécie de currículo oculto é posto em ação. Trata-se de um mecanismo de manutenção e reprodução de hierarquias, num processo de naturalização do impulso e da predação sexual como atitudes normais – mesmo entre homens dos cursos mais elitizados do país. Numa certa medida, se expressa assim como as desigualdades de gênero se reproduzem entre as elites universitárias”.

A crescente visibilidade para esse assunto que anteriormente se mantinha entre as paredes da universidade criou uma mobilização interna e externa para mudanças de políticas institucionais e pedagógicas. Nós do LIEG reconhecemos ser necessário ampliar as pesquisas e refletir sobre as práticas existentes que sustentam os comportamentos abusivos, de modo a fundamentar a criação de políticas de prevenção, enfrentamento e sensibilização da comunidade acadêmica como um todo (docentes, estudantes e funcionários), fornecendo subsídios e conteúdo para ações pedagógicas visando enfrentar a “mecânica institucional” descrita por Sara Ahmed em seu livro Complaint!, que impede a denúncia de caminhar em um sistema feito para travá-la.

Nesse sentido, a UNESP tem avançado, visando combater os trâmites institucionais que dificultam o enfrentamento do assédio e da violência de gênero no espaço acadêmico. Em 26 de julho de 2022 foi criada a Portaria nº 68, que “institui a Política Educativa de Enfrentamento ao assédio moral, assédio sexual, importunação sexual, formas de discriminações e preconceitos em relação à origem, cor, gênero, orientação sexual, religião ou crença, nível socioeconômico, condição corporal física ou psíquica no âmbito da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” – UNESP”.

Essa portaria também levou à criação da Comissão Central de Acolhimento da Unesp, que pretende ser um centro de apoio e ajuda para pessoas vítimas de violências, que geralmente estão vulneráveis e em sofrimento, e começou a atuar em março desse ano, como noticiado no Portal da Unesp. Para a professora Claudia Maria de Lima, ouvidora geral da Unesp e atual presidente da comissão, as pessoas que necessitam de auxílio se encontram fragilizadas, e o papel dos integrantes da comissão é oferecer suporte para que as vítimas tenham ferramentas para lidar com a situação traumática vivenciada. Para Claudia, “a intenção é mostrar que existem alternativas dentro do contexto universitário, desde a remarcação de uma prova ou até a transferência de unidade estudantil. Por isso que o atendimento se baseia numa escuta e apontamento de encaminhamentos possíveis nos âmbitos social, acadêmico, de saúde e legal, que incluem a orientação sobre medidas protetivas, aspectos médicos em redes de apoio, assistência social e jurídica.”

Com medidas como essas,  entendemos ser possível  pensar na transformação da universidade em um espaço que não apenas abre suas portas às mulheres e demais minorias, mas sim que possibilita que essas mesmas pessoas permaneçam e prosperem nesse ambiente, sem que abusos, violências e silenciamentos impeçam que se estabeleça uma educação realmente libertadora, acolhedora e feminista.

 Palavras do LIEG em homenagem ao Dia Internacional da Mulher.

Pesquisadora do LIEG tem texto publicado no jornal O Clarim

A convite do Coletivo de Mulheres Marília, eu, Bruna Oliveira, pesquisadora de iniciação científica do Laboratório de estudos de gênero, tive a oportunidade de escrever uma coluna para o jornal O Clarim, da cidade de Echaporã-SP, que foi publicado na edição 291 do jornal, no dia 22 de junho de 2022.
Atualmente estou com um projeto financiado pelo CNPq intitulado “Enfrentamento de Violência de Gênero na Universidade: situações de assédio e parcerias necessárias para além das fronteiras” em conjunto com o LIEG. Segue abaixo o texto na íntegra:

Que universidade queremos?
O livro “Um teto todo seu” reúne palestras que a escritora Virginia Woolf ministrou em
universidades da Inglaterra. Nessas palestras ela discorre sobre a diferença de educação que ela e suas irmãs tiveram em relação a seus irmãos homens, que puderam frequentar a universidade e obterem educação formal. Já ela, mesmo sendo uma palestrante, não poderia sequer entrar na biblioteca da mesma universidade que a convidou sem um acompanhante do sexo masculino. E a sensação da escritora é que mesmo estando fisicamente presente naquele espaço, ela não era completamente bem-vinda.
Mas e a universidade hoje? Segundo o INEP, Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas
Educacionais, já em 2017 as mulheres predominavam em cursos superiores no Brasil. O
Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) em 2019 também revelou que mulheres negras são maioria nas universidades públicas brasileiras, o que é consequência direta da política de cotas para negros, pardos e indígenas. Claramente é um avanço inegável desde os tempos da Virginia Woolf, mas essas mulheres que agora ocupam o espaço acadêmico se sentem bem-vindas?
As lutas das mulheres e minorias identitárias tem avançado. Os movimentos feministas tem abraçado lutas e resistências das distintas demandas sociais. Chegaram à periferia com pautas contra a violência, desigualdade salarial, assédio, liberdade reprodutiva e sexual, e não é diferente na universidade. E apesar das inúmeras resistências convivemos ainda com a permanência de um sistema formado por homens brancos, heterossexuais e elitizados que não acolhe essas transformações sociais dentro do ambiente acadêmico. O que antes era silenciado, abafado e mantido entre as paredes da instituição tem conseguido encontrar a atenção necessária dentro e fora da academia. Nos últimos anos temos visto notícias de alunas, alunos e alunes que não se calaram diante das violências sofridas dentro da universidade e passaram a se organizar e se manifestar contra o assédio no espaço acadêmico, enfrentando os comportamentos abusivos vivenciados e exigindo que a universidade se tornasse um espaço mais inclusivo, seguro e livre de assédio.
Para Sara Ahmed, escritora e intelectual australiana, o ato de denunciar expõe a vítima, que passa a ser estigmatizada, e precisa enfrentar a “mecânica institucional” que trabalha na contramão, dificultando o processo de reclamação pelos órgãos de gestão do sistema. Há resistência das universidades (além de outras questões como o corporativismo dos professores e morosidade das investigações) que dificultam o processo de reclamação e de acolhimento dessas vítimas. A presença de órgãos como “ouvidorias” e “corregedorias”, como parte das instituições acadêmicas que se colocam como um “ouvir especializado”, tem colaborado como um espaço de denunciar os comportamentos abusivos, como assédio moral, assédio sexual, racismos e LGBTQIA+fobia. No entanto as
ouvidorias acabam assumindo uma função de quantificação, gerando descrença coletiva por parte das reclamantes sobre a eficácia do sistema.
A partir de 2014, observamos diversos movimentos de resistência organizados pelos
estudantes, através de coletivos estudantis, sejam feministas, antirracistas e/ou anti
LGBTQIA+fobia, que fortalecem laços de proteção para as vítimas. Mas temos ainda um longo caminho a percorrer na divulgação de uma questão/situação que durante longo tempo viveu soterrada institucionalmente. Heloísa Buarque de Almeida, antropóloga e docente da USP, fala da existência de um currículo oculto na universidade: “Numa universidade aberta à entrada das mulheres (…) uma espécie de currículo oculto é posta em ação. Trata-se de um mecanismo de manutenção e reprodução de hierarquias, num processo de naturalização do impulso e da predação sexual como atitudes normais – mesmo entre homens dos cursos mais elitizados do país. Numa certa medida, se expressa assim como as desigualdades de gênero se reproduzem entre as elites universitárias.” Nesse cenário torna-se extremamente necessário a criação de políticas que buscam o fim da violência de gênero. Tanto no Brasil quanto na América Latina, algumas universidades tem se debruçado, cada uma a sua maneira, em investigar e propor alternativas, criando protocolos, comissões e tutoriais que visam a prevenção e enfrentamento do assédio e o acolhimento das vítimas, e precisamos com urgência nos dedicar a esse movimento de superação do assédio dentro do ambiente acadêmico, para que a universidade se
torne um lugar de convivência e permanência, e não apenas sobrevivência para os grupos
minoritários, que são as principais vítimas de assédio dentro do espaço acadêmico, seja esse assédio sexual, moral ou até mesmo psicológico.
Então, a questão que quero deixar para reflexão é: como sobreviver em um espaço acadêmico que não acolhe as vítimas? E essa questão da sobrevivência é algo muito discutido dentro do LIEG – UNESP e pela Sara Ahmed em toda sua obra, mas especialmente em seu último livro Complaint! (que seria Reclamação ou Queixa em tradução livre), no qual ela coloca o ato de reclamar como uma pedagogia feminista. Sara fala que devemos continuar batendo nas portas que não abrem, nas paredes que não quebram, mesmo que isso só cause barulho e descasque a tinta. Atrapalhar, reclamar e ser o que ela chama de “estraga prazeres” é o papel de toda feminista.