“Apagaram tudo, pintaram tudo de cinza…” Escadaria da Unesp de Botucatu foi alvo de repressão nesta manhã (26/10)!

O coletivo Genis, coletivo feminista da Unesp de Botucatu desde 2013, denunciou nesta manhã o ocorrido com a Escadaria da universidade, pintada pelas estudantes e integrantes do Coletivo em protesto aos casos de assédios sexuais, estupros, violências e trotes machistas, no início do ano de 2014, para a recepção de ingressantes.

Ver: http://www.fmb.unesp.br/#!/noticia/1516/coletivo-genis-realiza-pintura-de-escada-proxima-a-biblioteca/

Na página do facebook do Genis pudemos ler a Carta de Repúdio denunciando a CENSURA sofrida nesta manhã 26/10/2018, e a reproduziremos na íntegra neste post:

“[CARTA DE REPÚDIO]

Hoje, 26/10, nos deparamos com a violência no câmpus da Unesp de Botucatu: nossa escada, recentemente repintada pelas mulheres do Coletivo Feminista Genis, foi alvo de REPRESSÃO nesta manhã!

Agentes desconhecidos passaram tinta CINZA por TODA a escadaria, dizendo que houve “DENÚNCIA DE CRIME ELEITORAL”. Estamos apurando de onde veio a ordem para podermos tomar provisões. Minhas caras e meus caros, isso chama-se DITADURA!

Como podem ver na foto da escada anterior, os únicos dizeres de cunho político eram “#ELENÃO” e “DEMOCRACIA”. Somos um coletivo, lutamos contra o fascismo e contra qualquer candidato machista, homofóbico e racista. Temos o DIREITO E O DEVER de nos expressarmos, isso chama-se LIBERDADE DE EXPRESSÃO, a qual nos foi tirada essa manhã! Além do mais, temos autorização da diretoria do câmpus para pintarmos a escada.

MAIS UMA UNIVERSIDADE SENDO ALVO DE REPRESSÃO!
Unesp Botucatu não se calará!
Coletivo Feminista Genis NÃO SE CALARÁ!
#ELENÃO DEMOCRACIA SIM! ABAIXO A DITADURA!”

 Nós do LIEG e Cultura e Gênero declaramos apoio ao repúdio

Vivemos tempos sombrios e de constantes ataques à democracia. É preciso estar atento e mais do que nunca, lúcidas(xs)!!!!

“Apagaram tudo, pintaram tudo de cinza…” Escadaria da Unesp de Botucatu é alvo de repressão (26/10)!!!

O coletivo genis, em sua página do facebook, soltou uma nota de repúdio ao ocorrido com a Escadaria da Unesp de Botucatu. Pintada em 2013 por estudantes e integrantes do coletivo feminista Genis, contra casos de assédio, violências e trote machista, a escadaria se tornou simbolo da luta feminista dentro da Universidade! E  HOJE (26/10/2018) amanheceu pintada de cinza! CENSURADA!

Estamos vivendo tempos obscuros e de inúmeros ataques à democracia! Por isso começamos nosso post fazendo menção à musica “Gentileza” de Marisa Monte.

Nós do grupo Cultura e Gênero e LIEG da Unesp de Marília, apoiamos o Coletivo Genis e declaramos repúdio a qualquer manifestação de violência e censura a liberdade de expressão!

E enquanto mulheres pesquisadoras lutamos pelo direito de se posicionar e contra o silenciamento das existências de mulheres e lgbtqia+!

#ELENÃO !

Reproduziremos a carta aqui, na íntegra:

“[CARTA DE REPÚDIO]

Hoje, 26/10, nos deparamos com a violência no campus da Unesp de Botucatu: nossa escada, recentemente repintada pelas mulheres do Coletivo Feminista Genis, foi alvo de REPRESSÃO nesta manhã!

Agentes desconhecidos passaram tinta CINZA por TODA a escadaria, dizendo que houve “DENÚNCIA DE CRIME ELEITORAL”. Estamos apurando de onde veio a ordem para podermos tomar provisões. Minhas caras e meus caros, isso chama-se DITADURA!

Como podem ver na foto da escada anterior, os únicos dizeres de cunho político eram “#ELENÃO” e “DEMOCRACIA”. Somos um coletivo, lutamos contra o fascismo e contra qualquer candidato machista, homofóbico e racista. Temos o DIREITO E O DEVER de nos expressarmos, isso chama-se LIBERDADE DE EXPRESSÃO, a qual nos foi tirada essa manhã! Além do mais, temos autorização da diretoria do câmpus para pintarmos a escada.

MAIS UMA UNIVERSIDADE SENDO ALVO DE REPRESSÃO!
Unesp Botucatu não se calará!
Coletivo Feminista Genis NÃO SE CALARÁ!
#ELENÃO DEMOCRACIA SIM! ABAIXO A DITADURA!”

https://www.facebook.com/coletivogenis/

Abaixo fotos da Escadaria:

          

 

 

Mais um evento realizado com sucesso!! Workshop sobre Violência de gênero nas universidades!!!

É com grande satisfação que nós do LIEG e Cultura e Gênero agradecemos a presença de todxs na realização do nosso Workshop na FFC/Marília!!

Foram dois dias (9 e 10 de outubro) de muita troca de conhecimentos e experiências!

No primeiro contamos com as falas da Profª e coordenadora do Cultura e Gênero, Lidia Possas, das Doutorandas em Ciências Sociais,  Camila Rodrigues  e Inês Godinho, especialistas em Violência de Gênero. Realizamos a atividade com discussão sobre o poder do simbólico e representações imagéticas!

No segundo dia contamos com a apresentação das graduandas e pesquisadoras PIBIC sobre Violência de Gênero nas Universidades, Stephanie Gaspar e Dafnes Moneim. Discutimos sobre os trotes machistas e as redes sociais e o ciberfeminismo!

Realizamos atividade de relatos e experiências escritos para a construção do nosso MAPA DA UNESP.

Novamente, esperamos que todxs tenham tido um proveitoso workshop!!!

 

                                 

                                                                                                        

                                             

LIEG na UNESP- Assis! “Educación y Diversidades Sexogenéricas (LGBTQI+)”

Nós, do Laboratório Interdisciplinar de Estudos de Gênero (LIEG) da Unesp de Marília, fomos prestigiar uma importante e esclarecedora palestra do Prof. José Ignacio Pichardo Galán, da Universidade Complutense de Madrid.

O evento sobre Educação e Diversidades Sexogenéricas (LGBTQI+), aconteceu no dia 15 de agosto no anfiteatro Manoel Lelo Belotto da UNESP de Assis, organizado por Leonardo Lemos, prof. do departamento de psicologia social e educacional.

Discutimos criticamente a etimologia do termo “fobia”, enquanto algo não individual, mas que está presente na estrutura social. Os diferentes tipos de homofobias, lesbofobias, transfobias, discriminações e violências que são ensinadas e normalizadas em nossa sociedade. E como “não discutir o tema” se torna uma forma de invisibilizar e manter as situações de violências contra as diversidades sexogenéricas. E levantamos questões sobre a Heteronormatividade, que articula normas de gêneros e padrões comportamentais, e quando não seguidos, expressam violências e discriminações sobre existências e expressões de gênero não normativas.

O Cultura e Gênero e o LIEG agradecemos à oportunidade que eventos como este trazem, de ampliar nossas discussões sobre gênero e sexualidade. Foi um dia muito produtivo para todxs!!

 

 

O                                     

Reunião do Laboratório Interdisciplinar de Estudos de Gênero (LIEG) de hoje!!!

Hoje, dia 07/08, tivemos nossa primeira reunião do segundo semestre de 2018!!!

Contamos com a presença do MAJU – Núcleo de debates sobre gênero na universidade, grupo recém criado por estudantes de Relações Internacionais e Ciência da Informação da Unesp de Marília.

Tivemos também a visita de estudantes de Ciências Sociais e Pedagogia interessadas em conhecer nosso trabalho!

Discutimos ideias e atividades para o cronograma semestral que divulgaremos em breve.

 

Feminismo Decolonial e “América Invertida”.

Nós do LIEG acabamos de finalizar mais um ciclo de estudos com sucesso!!

Neste semestre trabalhamos alguns artigos do livro “Traduções da Cultura. Perspectivas críticas feministas (1970-2010), UFSC 2017.

Dentre as discussões, destacamos os conceitos de colonialidade de gênero, epistemologia do sul e feminismo interseccional e decolonial. Contamos com a ajuda de mulheres marabilhosas como Breny Mendoza, Avtar Brah e Maria Lugones para entender um pouquinho mais sobre nossa identidade e contribuições enquanto mulheres latino-americanas e assim, elaborarmos nossas próprias proposições teóricas acerca da realidade.

Adotamos uma perspectiva que desterritorializa o conhecimento, descoloniza as teorias e desestabiliza os discursos. MENDOZA, 2010.

E aprofundando nossas pesquisas, conhecemos uma arte chamada “América Invertida” (1943), de Joaquín Torres García, Montevidéu 1874-1949.

“Tenho dito Escola do Sul porque, na realidade, nosso norte é o Sul. Não deve haver norte, para nós, senão por oposição ao nosso Sul. Por isso agora colocamos o mapa ao contrário, e então já temos uma justa ideia de nossa posição, e não como querem no resto do mundo. A ponta da América, desde já, prolongando-se, aponta insistentemente para o Sul, nosso norte.” Joaquín Torres García. Universalismo Construtivo, Buenos Aires: Poseidón, 1941

“América Invertida”, segundo Maria Marmelo (FLUP, 2014) é um poderoso símbolo de afirmação de uma identidade cultural. A obra pode ser vista como uma metáfora: mais do que fazer girar o mapa sobre o seu eixo, o artista propôs que, também na arte, o hemisfério sul se invertesse. […] Desenhar um mapa tem portanto um significado muito mais forte. Como bem sabemos, quem desenha os territórios e cria as linhas imaginárias são os povos vencedores. […] Por isso tudo, América Invertida é uma tentativa de desnaturalização porque contraria os poderes hegemônicos, propõe uma revisão das hierarquias e rejeita os poderes coloniais.

Portanto, para as investigações de gênero, recomendamos e compartilhamos estas nossas descobertas com todes!

 

 

52 opções de gênero. É possível?

A revista Época publicou recentemente uma matéria sobre as 52 possíveis opções de identidade sexual no Facebook. O site Hypeness divulgou que em Nova Iorque, a Comissão dos Direitos Humanos decidiu oficializar 31 diferentes tipos de gênero. Nós do Cultura e Gênero trazemos estas discussões para pensarmos acerca das diversas formas de identificação. A questão central nos propõe um dilema entre o que é biológico e o que é socialmente construído, elucidado pela matéria da revista online AzMina.

O Facebook disponibilizou tipos de gênero para selecionarmos ao preencher nossos perfis pessoais na rede social. Porém, notamos que estas inúmeras classificações giram em torno de identidades centrais, são como diferentes termos para um mesmo significado. Para endossar a discussão o antropólogo Luiz Mott diz que algumas minorias de gênero tem inventado subcategorias que só os membros do próprio segmento as usam e acrescenta que ainda não é possível saber se isso foi uma iniciativa para chocar ou se levará à uma conquista de cidadania plena para estas minorias.

Já o psicólogo Klecius Borges defende que os termos são tentativas de demonstrar a subjetividade emocional, física e comportamental que quebraria com os binarismos da nossa cultura ocidental. Porém, acrescenta Alexandre Saadeh, coordenador do Ambulatório de Transtorno de Identidade de Gênero do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, que quando se especifica demais, perde-se o foco e passa-se a concentrar em detalhes que não importam.

A bióloga Anne Fausto-Sterling põe em cheque os pressupostos das ciências biológicas. Acredita que há muito de construção social na atribuição do sexo biológico. A medicina trata o Intersexual (pejorativamente conhecido como hermafrodita) como anormal, mesmo quando a criança nasce saudável, julgam necessário procedimento cirúrgico para a adequação binária de sexo. Ela aconselha esperar a adolescência ou a vida adulta, que é quando a pessoa tem a capacidade de decidir por si mesmo.

Acreditamos que a discussão de gênero e sexo é importante para lidar com os preconceitos de nossa sociedade. Tudo o que é desconhecido e não falado gera um estranhamento. E para construirmos uma nova forma de sociabilidade é válido estimularmos este tipo de diálogo.

É importante pontuar a diferença entre gênero e sexo. O sexo diz respeito à genitália e o gênero à forma como construímos socialmente nossa identidade. O sistema ocidental tradicionalmente é binário e impõe uma forma de comportamento em concordância com o sexo biológico. Essas três matérias disponibilizadas trazem à tona a emergência da discussão como uma busca de possibilidade plena de existência.